Após registrar filas enormes, Instituto de Olhos altera forma de agendamento de serviços no Recife

De acordo com Fundação Ação Visual, Instituição Beneficente do Instituto de Olhos do Recife (IOR), no Espinheiro, a marcação volta a a ser realizada diariamente, no local.

Após registrar filas enormes para agendamento de exames e consultas na Fundação Ação Visual, Instituição Beneficente do Instituto de Olhos do Recife (IOR), no bairro do Espinheiro, na Zona Norte, o hospital informou, nesta terça-feira (4), que alterou a forma de marcação dos serviços. A reserva de vagas, que acontecia durante uma semana para os atendimentos dos três meses seguintes, volta a ser realizada diariamente, no local, para a data mais próxima disponível. (Veja vídeo acima)

Ainda seguindo o modelo antigo, na segunda-feira (3), foram distribuídas as 100 primeiras fichas para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2019. A fila para tentar um agendamento contou com centenas de pessoas. Houve tumulto e muita gente dormiu no local.

Com a mudança, as outras 400 fichas ainda disponíveis para esta semana, que seriam entregues entre esta terça-feira (4) e a sexta-feira (7), sendo 100 por dia, passaram a ser disponibilizadas de acordo com a demanda, sem limite diário. O número também aumentou, de 400 para 600.

Segundo a unidade de saúde, o processo de agendamento durante uma única semana para atendimento nos três meses seguintes foi implantado este ano, em uma tentativa de diminuir a espera, que chegava a um ano, em 2017. Com o transtorno, no entanto, a direção anunciou que vai voltar a marcar exames, consultas e cirurgias diariamente.

“Infelizmente, a marcação diária cria um problema: uma fila que cresce exponencialmente. À medida que você distribui fichas diárias sem limite para o paciente, ele naturalmente vai acessar o serviço, e essa fila vai crescendo, é uma coisa complicada de administrar”, afirma o diretor-executivo do IOR, Afonso Filho.

Entre as causas da grande procura pelos serviços, o diretor-executivo aponta a migração de muitos pacientes de planos de saúde para o Serviço Único de Saúde (SUS).

“Isso tem impactado diretamente nos serviços que prestam atendimento ao SUS. É um problema nacional e nós não sabemos como resolver enquanto serviço oftalmológico”, diz o diretor executivo.

Um outro fator que contribuiu para o aumento da procura pelo IOR, segundo Afonso Filho, foi o fechamento de unidades de atendimentos especializados no interior do estado, tranferindo a demanda para a capital.

“No interior, hoje, os serviços são muito poucos. O paciente termina batendo aqui. Como consequência, nós somos um serviço que atende praticamente o paciente do interior. Existem uns oito serviços que atendem exclusivamente os pacientes do Recife. Isso não quer que nós não atendemos [pessoas do Recife], mas damos prioridade ao pessoal do interior, justamente por ser muito mais carente o atendimento lá”, destaca o diretor.

Por mês, a Fundação Ação Visual, Institução Beneficente do IOR, realiza 1,5 mil consultas, 7 mil exames e 300 cirurgias.

Filas enormes
O agricultor José Valdevino Bezerra, de 71 anos, viajou duas horas e meia de Aliança, na Mata Norte do estado, e passou dois dias dormindo na fila para tentar atendimento na Fundação Ação VIsual para os familiares. (Veja vídeo acima)

“Recebemos uma ficha provisória e hoje estou esperando. Duas noites dormindo aqui”, lamentou o agricultor.

Outro que dorme há dois dias no local é o balconista Francisco dos Santos, de Camaragibe. Ele chegou ao local às 22h do domingo (2) . “Eu tento conseguir uma avaliação dos olhos para fazer uma nova cirurgia de catarata”, explicou.

Pacientes que estavam lá na manhã desta terça (4) relataram que receberam comida, roupas e materiais de higiente pessoal de outras pessoas que foram “visitá-los” no local. O IOR também abriu as portas de uma área da fundação para que os clientes dormissem.

Fonte: G1

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