Eronildo Felisberto // Médico e pesquisador do Inst. Medicina Int.Prof. Fernando Figueira-Imip
O Programa Academia da Cidade (PAC) desenvolvido pela Prefeitura da Cidade do Recife coloca em evidência uma nova visão e uma nova atitude que deveria estar presente na pauta política e administrativa dos governos locais e regionais ao demonstrar a possibilidade do exercício prático da transdisciplinaridade. Apresenta uma nova postura do agente público que põe o saber diante da lucidez necessária à promoção de ações que contribuam à sustentabilidade de programas correlatos que visam favorecer saúde e qualidade de vida ao ser humano.
O PAC guarda em si uma abordagem que associa o conhecimento ao uso de tecnologias leves, em consonância com o conceito de cidadania e autonomia necessárias ao desenvolvimento social das pessoas, ao contribuir para a promoção da saúde por meio da prática de atividades físicas e orientação para a adoção de hábitos alimentares saudáveis, potencializando o uso dos espaçospúblicos e promovendo o protagonismo social.
Por outro lado, não deixa de trazer em seu bojo dificuldades comuns a boa parte dos programas sociais coordenados pelo poder público. Estes se referem à ausência de dotação orçamentária própria com vistas a conferir ao mesmo maior poder de sustentabilidade e à necessidade de uma maior integração à outras ações de promoção da saúde, a exemplo da Estratégia Saúde da Família, modelo brasileiro preferencial de reorganização do sistema de saúde que tem entre suas atribuições formais a vigilância à saúde e ações de prevenção às doenças, cujas estratégias estão intimamente relacionadas às atividades previstas pelo PAC.
Entretanto, há de se considerar e ressaltar a procura da ‘superação’ no que se refere à separação dos conhecimentos e à potencialidade que apresenta no sentido da ‘comunicação’ entre ‘as coisas’, conforme nos recomenda Edgard Morin (2006) quando nos brinda com sua reflexão sobre a “Educação para a era Planetária”. No dia a dia do exercício da função pública é preciso estar atento ao tecido comum que une os diferentes aspectos do conhecimento e, por consequência, das ações práticas que os traduzem, seja em forma de políticas ou programas. São as intervenções que traduzem pensamentos, ideologias e o acúmulo da produção do conhecimento.
O PAC traduz-se numa experiência concreta de evolução na direção dessa ‘superação’ e dessa ‘comunicação’. Para seu aprimoramento, entretanto, importa que seus agentes estejam atentos e dispostos, ouvindo todos os interessados, a ampliar sua capacidade de reflexão a partir do monitoramento permanente de suas atividades, da elaboração de questionamentos sobre suas práticas e opções, os quais possam ser respondidos por avaliações cientificamente embasadas no sentido de os auxiliar a tomar decisões e a inovar com base em problematizações e soluções evidenciadas da interação entre os que se utilizam do programa, aqueles que nele trabalham e os que por ele se interessam.
Fonte: Diário de Pernambuco



