A atenção integral à saúde das pessoas com idade igual ou superior a 60 anos é assegurada pelo Estatuto do Idoso, que prevê, em seu artigo 15, o acesso universal e igualitário das ações e serviços para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam, preferencialmente, cidadãos nesta faixa etária. O item é considerado um dos mais importantes por entidades e órgãos de defesa das pessoas idosas. No entanto, dez anos após a criação do Estatuto, ele ainda não é cumprido conforme determinado. O artigo prevê que em cada município brasileiro deve haver um ambulatório de referência em geriatria e gerontologia para atendimento de saúde das pessoas idosas. Mas faltam profissionais qualificados para trabalhar com o segmento, bem como a capacitação continuada dos existentes.
A questão está entre as nove, na área de saúde, elencadas em um documento elaborado por integrantes do Movimento de Cidadania do Idoso, entregue ontem na Assembleia Legistaliva de Pernambuco (Alepe). “A gente sabe que a saúde, como um todo, precisa melhorar muito. O número de geriatras é pequeno para a quantidade de idosos que temos hoje. E amanhã, teremos ainda mais idosos”, observou a presidente do Conselho Estadual do Idoso, Niedja Guimarães.
Atualmente, existem apenas 18 geriatras em Pernambuco. De acordo como geriatra e diretor do Instituto de Medicina do Idoso, Alexandre Mattos, sete deles estão no serviço público. As referências em atendimento de idosos no Estado são os Hospitais Oswaldo Cruz e Geral de Areias. Mais de 3.500 idosos estão cadastrados no ambulatório de atendimento do Centro de Referência em Atenção à Saúde da Pessoa Idosa (Craspi) do Oswaldo Cruz.
Mesmo com a grande demanda de atendimento, foram identificados no Oswaldo Cruz problemas quanto à marcação de consultas, instalação do Serviço Social, números de leitos compatíveis com as patologias que acometem os idosos, limpeza e higiene da área externa. “Realizamos uma vistoria e, entre outras coisas, encontramos um aviso de que as consultas neurológicas estavam suspensas. A gente pediu que eles nos informassem sobre a possibilidade de marcação de consultas de geriatria, neurologia e oncologia, que são especialidades que atendem muitas pessoas idosas”, destacou a promotora de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital com atuação na Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa, Luciana Dantas.
Na manhã de ontem, um comunicado fixado na porta da sala de marcações informava que estavam suspensas as marcações para reumatologista e cirurgião vascular. O aposentado José João de Souza, de 84 anos, tinha uma consulta marcada, mas também não conseguiu atendimento. Com um problema pulmonar, ele foi informado que a pneumologista está de férias. “Cheguei aqui bem cedo, às 4h, mas ela não veio”, lamentou. Um novo diretor foi nomeado para a assumir a unidade na última segunda-feira. Médico do Huoc hámais de 40 anos, Emanuel Fraga informou, por meio da assessoria de imprensa, que todas as demandas que não estavam sendo atendidas “serão atacadas por um processo de choque de gestão” que será implantado nas próximas semanas. Comunicou, também, que o ambulatório, incluindo os serviços de geriatria, oncologia e neurologia, serão reestruturados com um novo modelo de marcação e agendamento de consultas por marcação eletrônica.
Fonte: Folha de Pernambuco



