Audiência discute problemas no repasse de recursos para cirurgias cardíacas em Pernambuco

Reunidos em audiência de instrução no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), no Centro do Recife, representantes das entidades, do Real Hospital Português (RHP), da Secretaria Estadual de Saúde (SES), e do próprio MPPE discutiram os problemas identificados no repasse de recursos para realização de cirurgias cardíacas no RHP. A reunião foi realizada nesta terça-feira e teve o comando da 34ª Promotora de Justiça de Defesa da Cidadania, Promoção e Defesa da Saúde, Helena Capela.

O encontro foi acompanhado de perto pela vice-presidente do Sindicato dos Médicos (Simepe), Claudia Beatriz, e pelo diretor executivo, Walber Steffano, além do presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremepe), André Dubeux. Na reunião, ficou constatado que, em 2016, há um passivo do Estado para com o Hospital Português no valor de R$ 19 milhões. Além disso, há o registro de uma redução de 35% no número de procedimentos realizados desde outubro de 2015, após o requerimento verbal por parte da SES. Hoje, são feitas apenas cerca de 600 cirurgias cardíacas no RHP, o que gera um aumento da fila de pacientes que precisam dessas intervenções, mas que a rede de saúde de Pernambuco não tem condições de absorver.

Após a audiência, ficou acertado que a partir de fevereiro deste ano, a SES deverá realizar os pagamentos pelas cirurgias feitas no Hospital Português referentes aos meses de junho de 2015; outubro a dezembro de 2015, além do período entre abril e dezembro de 2016. Tudo isso deforma que o valor passivo não seja majorado. Além disso, o MPPE deliberou que a Secretaria Estadual de Saúde precisa informar, em 20 dias, por conta da demanda reprimida dos períodos, como será feita a normalização dos procedimentos cirúrgicos necessários para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda ficou deliberado que a pasta estadual tem o mesmo prazo para encaminhar uma proposta de pagamento do passivo dos procedimentos realizados e não pagos ao RHP.

Por fim, a pasta tem o prazo de 30 dias para apresentar ao Ministério Público a lista de espera para esses procedimentos no SUS, comparando o número de intervenções autorizadas pela Junta de Cirurgia Cardíaca do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) com o número de procedimentos efetivamente realizados no RHP.

A vice-presidente do Simepe, Claudia Beatriz, valorizou o resultado da reunião. “Avalio de forma bastante positiva a audiência pelo fato do Estado ter assumido, junto ao Ministério Público, o compromisso em regularizar os pagamentos. Neste encontro, conseguimos resolver as questões importantes pela ótica trabalhista, já que os profissionais que realizaram as cirurgias estão com os pagamentos atrasados; além de buscar um caminho para combater a desassistência gerada pela falta desses procedimentos – o que é panorama grave de se manter. Vamos seguir acompanhando os desdobramentos das deliberações propostas”, pontua.

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