Audiência pública realizada nesta quarta-feira (5) discutiu a situação dos trabalhadores informais que atuam no entorno dos hospitais públicos do Recife. No plenarinho da Câmara Municipal lotado, estiveram presentes representantes do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal do Recife, o gerente administrativo do Hospital das Clínicas, Marcos Viegas, a promotora Betina Guedes, os vereadores Rodrigo Coutinho (SD), Wanderson Florêncio (PSDB) e Ivan Moraes (PSOL), que conduziu a mesa, além do secretário de Mobilidade e Controle Urbano do Recife, João Braga.
Durante a reunião, os ambulantes cobraram posicionamento do secretário João Braga acerca de ações para os trabalhadores informais. Entre as demandas, projetos para as áreas de onde eles devem ser retirados, uma mesa de negociação permanente de diálogo, a garantia de quem já foi cadastrado pela Prefeitura se manter no cadastro e até a participação na construção dos equipamentos para onde os ambulantes devem ser realocados. A proposta seria buscar financiamento para arcar com os custos dos equipamentos.
“A gente propôs sobre o financiamento dos próprios barraqueiros”, afirmou Jô Cavalcanti, integrante do Sintraci. Segundo ela, o grupo “está entrando nessa gestão de novo e até agora não foi feito nada em torno dos hospitais. Tem projeto, mas não tem conclusão”.
Durante a audiência pública, trabalhadores do comércio informal cobraram providências, relataram suas experiências de trabalho nos entornos dos hospitais e abusos cometidos por parte de fiscais da Prefeitura. “Dei meu nome ao prefeito (Geraldo Julio/PSB) e quero o que ele falou. Ele disse que ia fazer no Hospital Agamenon Magalhães o que fez na Restauração. Vim cobrar o prefeito. O prefeito também não é dele?”, questionou Luciene Maria de Lima, 45, que trabalha no entorno do Agamenon Magalhães, há nove.
Os ânimos chegaram a ficar acirrados quando o secretário afirmou que as comissões para acompanhar os andamentos dos projetos seriam formadas pela própria secretaria e não indicadas pelo Sintraci, como deseja o sindicato. Foi sugerido, então, que o Sintraci formasse suas comissões para acompanhar as discussões, assim como os grupos formados pelo Executivo.
Entre os encaminhamentos dados durante a reunião, João Braga afirmou que a secretaria está estudando a situação dos ambulantes nos hospitais. “Já começamos um processo de cadastro. Fotografia de quem está trabalhando lá, o cadastro completo já começamos, e estamos para ter e apresentar uma solução para isso ao longo dos próximos dois meses. Isso vai resolver. Prioritariamente, aqueles que estão lá há mais tempo. Todos os cadastrados terão um local da solução final”, garantiu o secretário.
Ele também falou sobre a criação das comissões. “É como a gente trabalha. A gente faz comissões por rua, às vezes por tipo de mercadoria que se vende. Isso todas as ruas a gente faz isso. A gente não fica limitando a um só sindicato, a um só grupo. A gente trabalha com quem conhece mais o problema, quem está na rua, e vai ser beneficiado com o procedimento. Finaliza o cadastro e fiscaliza também o processo de construção para a solução definitiva que a gente vai ter. E, melhor ainda, o controle social”, explicou João Braga.
O vereador Ivan Moraes avaliou alguns pontos como positivos. “O resultado positivo é a garantia, por parte da Prefeitura, de que ninguém que hoje é comerciante que está cadastrado nos hospitais, tem seu negócio seguro não vai ser retirado de forma abrupta. Agora, há questões. Por exemplo, falou-se da necessidade de ter projeto para cada área. Mas o secretário não conseguiu trazer esses projetos, não conseguiu nem dizer o diagnóstico de cada área. A não ser do Hospital das Clínicas. O secretário falou de coisas do passado, mas infelizmente a gente esperava que ele trouxesse alternativas para o presente”, afirmou.
“Ele falou que irá montar comissões em cada hospital, o que é um fato positivo. mas não garantiu que irá dialogar com o sindicato que é representante da categoria. […] Então, acho que existe um problema, é de aceitação por parte de um sindicato que é legítimo, que foi eleito pela categoria, que tem todo direito de participar de forma protagonista dessas discussões. Agora, isso leva também uma responsabilidade para o sindicato para que dialogue com a sua base e possa fazer com que essas comissões que o secretário garantiu que serão formadas em casa hospital sejam comissões que de fato representem os interesses de todo o coletivo de vendedores e vendedoras do Recife. O sindicato é o protagonista e precisa ser respeitado como tal”, continuou Ivan Moraes.
Sobre a questão do financiamento por parte dos comerciantes, João Braga afirmou que o assunto será analisado pela Prefeitura do Recife.
Fonte: Folha de Pernambuco



