De tanto se conviver com o problema, ambulantes e banhistas deixaram de enxergar a água dos poços empregada nos chuveirões e nas barracas da orla de Boa Viagem como fonte de doenças. O que tenho dificuldade é entender a vista grossa feita pelo poder público, ao longo de anos, quanto à fiscalização do uso dessas fontes d’água. Desse passado, as consequências sobre a saúde da população podem, no máximo, ser remediadas. Até porque preocupação sobre elas jamais resultaram em estudos, quando deveriam ser frequentes. Não é isso, afinal, que pedem os bons manuais de saúde pública? Lamentável ter esse cuidado sido esquecido por quem caberia por mando legal. Sem máquina do tempo para regressarmos e mudarmos o passado, fiquemos com a exigência de enfrentar o presente como se deve. A qualidade da água dos poços, conforme análises da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dispensa desculpas do estado e do município. A única resposta aceitável para lidar com o risco de contaminação dos usuários da água da orla é, caso assim se cobre, fechar os poços. Os ambulantes podem ter as vendas reduzidas com a interdição dos chuveirões, contudo tais perdas jamais devem ser encaradas, frente a possibilidade de adoecimento, como mal menor. A redução das perdas econômicas é perfeitamente superável com um bom projeto de abastecimento d’água.
Fonte: Diario de Pernambuco



