Recém-nascidos em Pernambuco serão os primeiros no País a serem identificados minutos após o parto, ainda na sala de cirurgia, através da coleta de digitais dos dez dedos das mãos. A tecnologia do novo leitor biométrico eletrônico, desenvolvida por pesquisadores paranaenses, é pioneira no Brasil e no mundo e tem precisão de 99%. Ela é capaz de produzir imagens da superfície dos dedos de um bebê com resolução superior em até cinco vezes aos aparelhos existentes no mercado contemporâneo. A ideia é combater os casos de troca, rapto e tráfico de recém-nascidos. Estatísticas do Ministério da Saúde indicam que, a cada 3 milhões de nascimentos no Brasil, há permuta de bebê em 6.000 deles. O projeto-piloto foi lançado na manhã de ontem, na sede da Secretaria de Defesa Social, em Santo Amaro, no Centro do Recife.
Até o final do ano, protótipos do dispositivo, em formato de cubo e com dez centímetros de comprimento, começam a funcionar na maternidade do Hospital Barão de Lucena, na Zona Oeste do Recife. Hoje, a unidade de saúde possui 99 leitos para bebês, entre alojamentos e espaços para terapia e coronária intensiva. Ocorrem, em média, 300 partos por mês na maternidade.
Aproximadamente R$ 600 mil serão investidos nessa primeira fase do projeto. A previsão é que em 2014 outras nove maternidades do Estado recebam o aparelho: a do IMIP, Agamenon Magalhães, Bandeira Filho, Arnaldo Marques, Barros Lima, Brites de Albuquerque, Abreu e Lima, IMIP Petrolina e Mãe Coruja, em Ouricuri, no Sertão.
O secretário da Defesa Social, Wilson Damázio, comemora a parceira com os cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Estávamos à procura de uma tecnologia que nos desse segurança na identificação e na prevenção de rapto e tráfico de menor. A partir desse sensor eletrônico, os profissionais de saúde terão certeza de que cada bebê saiu do ventre de sua respectiva mãe.”
O pesquisador Luciano Silva conta que vinha trabalhando no dispositivo há mais de dez anos, em conjunto com outros cientistas. “A alimentação e transmissão de dados do sensor é feita via tecnologia sem fio. Estamos aguardando uma empresa que o produza em larga escala, num tempo rápido e com custo baixo, para que municípios pobres possam compra-lo”. Atualmente, a identificação dos recém-nascidos é realizada pela coleta de impressões digitais dos pés com tinta, que não possui a mesma precisão do aparelho eletrônico.
Fonte: Jornal do Commercio



