Brasileiro é campeão em exames

Os brasileiros que têm planos de saúde fazem mais exames de tomografia e ressonância magnética do que a média da população dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de bater o recorde de cesarianas, com taxa de 84,6 para cada 100 nascidos vivos. Os dados constam na quarta edição do Mapa Assistencial de Saúde Suplementar, produzido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com informações sobre o atendimento médico-hospitalar das operadoras. Nos últimos dois anos foram contabilizadas 15,5 milhões de internações nos hospitais privados, totalizando o custo de R$ 99 bilhões.
Na publicação há indicadores de saúde do Brasil e de países membros da OCDE. A ideia é apresentar informações que permitam análises comparativas com base nos indicadores. São eles: taxa de internação hospitalar, número de consultas médicas, número de exames de ressonância magnética, número de exames de tomografia computadorizada e taxa de parto cesáreo. Os dados contidos no mapa referem-se aos anos de 2014 e 2015, cuja base é o Sistema de Informações de Produtos (SIP) da ANS .
Entre os indicadores analisados pela publicação, o número de consultas médicas per capita do Brasil está abaixo dos países da OCDE. Neste item, a taxa de saúde suplementar brasileira de 5,4 é menor do que 6,6 da média da OCDE, mas se aproxima a de países com sistemas universais de saúde, como o Reino Unido e a Dinamarca. As taxas mais altas estão no Japão (12,9) e na Coreia (14,6). As menores taxas ficam com a Finlândia (2,6) e a Suécia (2,9).
O mapa da ANS revela que a taxa de internação por benefíciário de plano de saúde no país está acima da média da OCDE e próxima a de países como Suécia, França, Suíça e Polônia. Quanto ao número de exames de tomografia computadorizada por 1.000 habitantes, a taxa ficou acima da OCDE. “Os dados da saúde suplementar estão próximos a média da OCDE nos indicadores de consultas médicas por beneficiário, taxa de internação hospitalar, tomografia computadorizada. Todavia, para os indicadores de ressonância magnética e taxa de cesariana, os valores da saúde suplementar no Brasil estão acima dos valores apresentados pelos países membros da OCDE”, comenta Karla Coelho, diretora da ANS.
Para o diretor-executivo do Instituto Apolo, Diogo Santos, os dados do Mapa Assistencial referentes ao número de utilização de exames, como tomografias e ressonâncias, fazem parte da cultura brasileira e da forma de remuneração dos serviços médicos. “Se isto é bom ou ruim é algo para ser discutido. Os índices não representam assistência médica adequada aos usuários de planos de saúde”. O Instituto Apolo presta consultoria e atendimentos jurídicos na área de saúde suplementar. Segundo ele, a alta demanda judicial no Instituto referente à negativa de coberturas assistenciais por parte das operadoras indica a dificuldade de acesso aos serviços.
A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), entidade que representa as empresas de medicina de grupo, destaca que mesmo com uma queda de 1,9% no número de clientes em 2015, o setor de planos de saúde constatou um aumento de procedimentos de 0,7%, superando a marca de 1,2 bilhão de atendimentos realizados.

Fonte: Diario de Pernambuco

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