Os anticorpos monoclonais (clonados a partir de uma única célula) usados no teste conseguiram reduzir a infecção por HIV a níveis indetectáveis nos camundongos. Como o vírus da aids não infecta roedores, os cientistas tiveram de fazer o teste com camundongos geneticamente modificados, cujo sangue tinha características moleculares humanas. Os anticorpos monoclonais são uma técnica sofisticada que já vem sendo usada para tratar alguns tipos de câncer e doenças autoimunes.
As proteínas usadas no experimento liderado por Nussenzweig, que já tinham sido descritas em outro estudo no ano passado, são capazes de neutralizar muitas variedades diferentes do vírus. Segundo ele, outras pesquisas que tentaram usar terapia similar falharam por não ter anticorpos tão robustos à mão.
Apesar de os anticorpos monoclonais serem uma abordagem mais cara que os antirretrovirais, existe uma perspectiva de uso para a técnica no tratamento de soropositivos, pois eles quase não trazem efeitos colaterais. A vantagem dessa abordagem é que os anticorpos são um produto natural, feito pelo organismo humano, disse Nussenzweig.
Os voluntários num teste clínico serão aqueles que não toleram bem as drogas, aqueles nos quais as drogas estão falhando ou os que queiram receber um tratamento com doses uma vez a cada poucos meses em vez de ter de tomar algo todos os dias. No experimento com os camundongos humanizados, tanto a terapia de anticorpos quanto as drogas antirretrovirais foram eficazes em manter a carga de vírus em níveis baixos. Quando o tratamento foi cessado, porém, o vírus voltou a proliferar em poucos dias nos roedores tratados com medicamentos.
Os animais que estavam recebendo os anticorpos permaneceram sem sintomas por até dois meses. Em humanos, a meia-vida de anticorpos é ainda mais longa que nos roedores. Esperamos que esse período de eficácia seja o dobro ou o triplo.
Fonte: Jornal do Commercio



