Cabo de Santo Agostinho: médicos cobram soluções para a saúde

Médicos vinculados à rede municipal do Cabo de Santo Agostinho se reuniram nesta sexta-feira (03/05), na sede do Simepe, para discutir a situação da saúde pública no município. Na ocasião, foram relatados problemas estruturais, falta de insumos,  insegurança nas unidades,  escalas incompletas e o desrespeito aos profissionais levando a enorme insatisfação da categoria.

No Hospital Infantil, referência de Pediatria para a região, os médicos alertaram sobre a grande falta de segurança que começa pela falta de controle no acesso ao estacionamento e das pessoas para a parte interna do hospital, o que deixa profissionais e pacientes internados expostos. Em todos os outros serviços, os médicos também se queixaram de insegurança, da quantidade pequena de guardas municipais (chegando a ficar sem nenhum segurança em alguns plantões), relataram ameaças, agressões verbais e até físicas. Um dos médicos presentes afirmou: “o problema do desabastecimento do laboratório está levando a uma demora enorme na chegada dos resultados dos exames. Estão faltando desde kits de bioquímica até tubos de coleta de hemograma. Isso além de expor pacientes e a nossa prática médica, deixa acompanhantes irritados, agressivos”. Foram citados também problemas frequentes com os Raios-X em decorrência da falta de manutenção. “Foram feitas reformas nas paredes de alguns serviços de urgência, e isso tem um valor, necessidades mais urgentes, como por exemplo repor o material de laboratório e as medicações em falta”, analisou um dos médicos.

Outro problema trazido pela categoria foi a precariedade na frota de ambulâncias, que atende a todos os serviços de urgência incluindo a Maternidade Padre Geraldo, referência na assistência ao parto. A frota está com a quantidade de carros muito reduzida, chegando a se esperar horas para conseguir uma ambulância para uma transferência. Dos carros que estão ativados, muitos são sucateados, não dispõem de equipamentos importantes e nem oferecem segurança mínima para pacientes e profissionais que vão no transporte, “…falta até cinto de segurança!” desabafou outra médica.

Já os médicos do SAMU entregaram no último mês de Abril ao prefeito, ao secretário de saúde e as entidades médicas, uma carta na qual listam problemas, reivindicações e relatam o grave estresse pelo qual estão passando. Referem que há seis meses estão com a sua base desprotegida pela falta de guardas em todos os plantões, apesar das invasões já ocorridas, das ameaças e da reconhecida violência no município. Neste documento pedem ajuda e referem também: problemas com a manutenção mecânica e elétrica da frota deixando por vezes as viaturas sem condições adequadas de segurança para rodar, o que prejudica o funcionamento das mesmas. Equipamentos de apoio como rádios e de suporte médico considerados importantes para a assistência estão desativados ou quebrados por falta de reparos.

Outro ponto importante discutido na reunião foi a morosidade no chamamento dos aprovados no último concurso. Segundo o diretor do Simepe, Adilson Morato, o Sindicato está monitorando este chamamento e sempre reivindicando as devidas providências. “Identificamos que apesar de especialidades como a Pediatria já não ter mais profissionais a serem chamados no cadastro reserva, ainda há mais de cem profissionais aprovados da clínica médica (plantonistas) e muitos de outras especialidades para os quais as necessidades de reposição nas escalas de plantão e ambulatórios do município são urgentes”, comentou.

O município levou mais de oito meses sem chamar os médicos aprovados no concurso, apesar das escalas permanentemente desfalcadas e dos pleitos para recomposição das mesmas. Isso acarretou num passivo grande de plantões extras que ainda não foram pagos, alguns há quase um ano, gerando muita insatisfação na categoria, comprometendo a organização dos serviços, as escalas e a assistência a população. Muitos médicos referem não ter recebido o terço de férias e outras gratificações como o adicional noturno do ano de 2012.

O Simepe que este ano esteve reunido com o prefeito Vado e o secretário de saúde em março para apresentar os diversos problemas trazidos pelos médicos da rede, cobrou em caráter de urgência, o compromisso assumido pelo próprio gestor de uma nova reunião para dar respostas e tratar das soluções para estas questões que afligem a todos com máxima brevidade. A categoria se reunirá novamente para avaliar as respostas e proposições da gestão nos próximos dias.

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