Por força de mandado de liminar expedido pelo juiz Luis Correia da Silva, no final da tarde de ontem (6), os médicos que trabalham na rede municipal de Camaragibe, terão que retornar ao trabalho a partir desta quinta-feira (7). A Justiça decretou o movimento ilegal e ameaçou aplicar uma multa diária de R$ 5 mil ao Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) caso a decisão não seja cumprida, além de autorizar o uso da força policial para integrar o cumprimento desta decisão. Na assembleia geral realizada na noite desta quarta-feira (6), a categoria resolveu acatar a liminar judicial, no entanto, aprovou a proposta do início do movimento de demissão de seus cargos nos próximos dias.
De acordo com o presidente do Simepe, Silvio Rodrigues, todos os procedimentos legais foram cumpridos pela entidade sindical. “Esperamos às 72 horas para iniciar a greve e deixamos 30% dos profissionais trabalhando nos serviços de urgência e emergência, no Cemec Centro. “ Avaliamos que houve uma decisão unilateral. A Justiça só viu o lado da prefeitura e, por isso, os médicos resolveram pedir demissão. Já temos 30 pedidos em mãos. A tendência é aumentar até a próxima semana”, enfatizou.
Ação contra a Prefeitura – Em paralelo ao processo de demissão em massa, a Defensoria Médica do Simepe vai recorrer da decisão, no intuito de validar o movimento grevista, como também acionará judicialmente a Prefeitura no Ministério Público do Trabalho (MPT), e no Ministério Público Estadual (MPPE). Alguns direitos previstos em na CLT não estão sendo cumpridos pela atual gestão municipal. Como por exemplo: os médicos não têm direito a licença para tratamento de saúde, as médicas não têm direito a licença maternidade e os salários são baixos do mercado de trabalho.
Entre as principais reivindicações está a equiparação salarial com outros municípios da Região Metropolitana. Camaragibe paga R$ 1.100 de salário-base, enquanto o Recife possui uma remuneração de R$ 3.060, de acordo com o Simepe. Além disso, os médicos lutam ainda por condições de trabalho e estruturação das unidades de saúde, produtividade e criação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV).
Falta de comunicação – Os profissionais da saúde do município reclamam da falta de comunicação entre eles e o prefeito João Lemos (PCdoB), que também é médico. “A gente não consegue falar com o prefeito. São 10 meses de negociações em parceria com o sindicato, sem contar o período em que negociamos isoladamente. É falta de compromisso dele com os médicos e principalmente com a população”, desabafou o médico Ronaldo Dantas.
Na próxima quarta-feira (13), a categoria volta a se reunir em assembleia na sede do sindicato. “Neste dia recolheremos as outras cartas de demissão e na quinta ou sexta-feira estaremos entregando as demissões à prefeitura”, completou o presidente do Simepe, Sílvio Rodrigues.



