Camaragibe: médicos entregam carta de exoneração à Prefeitura

Após dez meses de tentativas de negociações, os médicos vinculados à rede municipal de saúde de Camaragibe, entregaram na manhã desta segunda-feira(18), as cartas com pedido de exoneração, solicitando o desligamento. A decisão foi tomada na última assembleia, realizada na semana passada.

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) contabilizou mais de 50 documentos com intenção de exoneração, todos reconhecidos em cartório, e a expectativa é de que esse número aumenta nos próximos dias. O presidente do Simepe, Silvio Rodrigues, fez um histórico do movimento, destacando que a categoria chegou a um ponto de esgotamento.

“Os médicos seguraram até onde puderam, mas não irão mais se submeter aos baixos salários e a péssimas condições de trabalho, tampouco as leis trabalhistas que vão de encontro ao direito do trabalhador”, explicou.

As cartas com o termo de intenção de desligamento foram entregues na sede da prefeitura. De acordo com Silvio Rodrigues, os médicos cumprirão o aviso prévio de 30 dias, a partir da data em que o documento foi protocolado.

Enquanto os médicos ainda estavam concentrados em frente à Prefeitura, uma reunião não oficial foi convocada às pressas, com os representantes do Simepe. Entretanto, mais uma vez, assim como em reuniões anteriores, o prefeito João Lemos, não recebeu a categoria. “Se o prefeito quiser se manifestar terá 30 dias para tal. É o tempo do aviso prévio”, esclareceu Silvio Rodrigues.

Motivos

O Simepe apresentou no inicio deste ano à Prefeitura de Camaragibe uma pauta de reivindicação, na qual continha desde condições de trabalho e estruturas precárias à equiparação salarial com o Estado e municípios vizinhos, como Recife, Cabo e Jaboatão dos Guararapes. No entanto, o diretor do Sindicato, Fernando Cabral, alegou que o prefeito não apresentou nenhuma contraproposta que contemplasse a reivindicação da categoria.

“Tentamos de todas as maneiras possíveis chegar ao acordo. A Prefeitura junto com a Secretária de Saúde tiveram tempo suficiente para solucionar de forma positiva a crise na saúde do município. Fizemos vários atos para chamar a atenção dos gestores e da população. Chegamos ao limite”, desabafou Fernando Cabral.

Assistência

Os médicos denunciaram por várias vezes a precariedade e o sucateamento das unidades e postos de saúde. A população sofre o descaso na saúde. Alguns exemplos são: o Cemec Centro de Camaragibe , que estão com as paredes mofadas e com infiltrações e o USF Vale das Pedreiras I e II, que segundo os médicos e usuários da unidade, em pouco tempo os cupins derrubarão a casa. “Os médicos trabalham em ambientes e condições desumana, e nós somos atendidos e tratados lá. Eu apoio o movimento. É um absurdo a saúde aqui”, disse Clarenice Batista, moradora do município.

Amanhã(19) haverá uma nova assembleia, na sede do Sindicato, às 19h, para avaliar o processo demissionário.

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