Mais três pacientes pernambucanos devem iniciar o tratamento com canabidiol (CDB). Secretária Estadual de Saúde SES) foi notificada e deverá comprar medicamentos à base a substância para atendê-los por determinação judicial. São remédios que precisam ser importados, sendo 95% deles fabricados por laboratórios Norte-americanos. Até chegar à ES, os pedidos tiveram que ser autorizados pela Anvisa. Até então, um único paciente, um enino de 4 anos, havia conseguindo obter o tratamento elo Estado. A secretaria aguara o envio de documentos complementares, como laudo médico e receituário para iniciar o processo de aquisição. Essas informações são necessárias para saber o quantitativo, presentação e dosagem das medicações. Entre os três novos casos recebidos pela SES está o de Raquel Danielly, 6 anos. Moradora de Jupi, no Agreste, a menina tem síndrome deWest, um tipo raro de epilepsia de difícil controle. Sofre crises convulsivas desde os três meses. O quadro tem piorado e hoje ela toma 22 medicações anticonvulsivas para tentar aplacar as crises que já chegaram a 25 por dia. Sua mãe, a autônoma Ivanise Ferreira, 44 anos, ingressou na Justiça por meio do MPF. E conseguiu, em caráter liminar, que o SUS forneça o remédio importado Hemp Oil à criança. Pela decisão o Estado e a União terão 30 dias para disponibilizar o medicamento, sob pena de multa diária de R$ 2 mil em caso de descumprimento. O prazo começou a valer desde o último dia 4, quando o MPF notificou os responsáveis. “Espero que esse remédio possa ajudar minha filha. Aumentamos as doses do remédio mas não adianta, ela temuma crise atrás da outra. O canabidiol é nossa esperança. E pela minha filha vou lutar e ultrapassar qualquer barreira”, desabafou a mãe de Raquel, a autônoma Ivanise Ferreira, 44 anos. Além da síndrome de West, a menina tem a síndrome de Beckwith-Wiedemann (que provoca anomalias da região orofacial e dos sistemas cardíaco, gastrointestinal, endócrino e esquelético) e também autismo. O orçamento é curto. Raquel dispõe de um benefício de um salário mínimo (R$ 788) e a mãe quando pode vende cosméticos, ficando difícil manter o atual tratamento que custa cerca de R$ 700/mês. O valor de importação do canabidiol está muito além do orçamento da família, chegando R$ 41 mil ao ano. Ivanise Ferreira contou que ouviu o nome da nova droga em uma consulta da filha. A medicação derivada da maconha foi apresentada pelo médico como uma alternativa já que as demais não surtiam efeito. “Procurei saber sobre o remédio na internet. Vi que há resultados positivos. O médico reforçou que seria uma luta conseguir a medicação e perguntou se estava disposta. Disse que sim”, relembrou. Em seguida, ingressou com o pedido de liberação de importação da medicação na Anvisa emmarço. Dezessete dias depois recebeu a aprovação.
CONTA JUDICIAL
A liminar da Justiça indica que em caso de impedimento da importação do remédio, devidamente provado por documentos, a União e o Estado de Pernambuco terão a opção de depositar, em conta judicial, a quantia necessária para aquisição dos remédios correspondentes aos três primeiros meses. A cada 90 dias, o MPF deverá apresentar novo relatório médico demonstrando a evolução da doença e o quadro clínico da criança.
Fonte: Folha de Pernambuco



