Câncer de próstata: mudanças radicais no exame rotineiro e tratamento

Tibério Moreno de Siqueira Jr
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia
tiberiojr@uol.com.br

Dados recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde mostram que o câncer de próstata é o segundo câncer mais comum em homens, precedido apenas pelas neoplasias de pele não-melanomas. Pior do que isto é o fato que o câncer prostático hoje representa a segunda causa de mortes por câncer no Brasil, sendo superado apenas pelo de pulmão. Houve um aumento na taxa de mortalidade por esta doença de 95% entre os anos de 1979 e 2004. Em 2013, estima-se que ocorreram mais de 60 mil novos casos desta doença, sendo uma média de 52 casos para cada 100 mil habitantes. Em valores absolutos, o câncer de próstata é o sexto colocado em todo o mundo e o câncer mais prevalente nos homens, representando um total de 10% dos tumores.

Em abril de 2013, a Associação Americana de Urologia publicou novas orientações sobre investigação e tratamento do câncer prostático, modificando totalmente as seguidas por toda a urologia mundial nos últimos 15 anos. Antes, era recomendado se iniciar o exame rotineiro da próstata aos 45 anos e para todos os casos de toque retal alterado e/ou PSA. Quando a biópsia prostática era positiva para câncer de próstata, os pacientes eram encaminhados para cirurgia ou radioterapia.

Agora, a recomendação é de se fazer o exame rotineiro apenas entre os 55 e 69 anos. Antes dos 55 anos e após os 70 anos, apenas deve-se fazer exame de próstata em casos selecionados. Além disso, o exame que antes deveria ser anual, agora deve ser bianual. Ou seja, houve uma grande mudança de paradigma na investigação dos homens em relação ao exame rotineiro de próstata.

Em relação ao diagnóstico, acabou de ser aprovado pelo FDA americano (Food and Drug Administration) um exame genético na urina para detecção de câncer de próstata chamado PCA, que parece ser mais confiável ainda que o PSA. Finalmente, está em discussão se realmente é necessário tratar todos os pacientes que já tem o diagnóstico de câncer prostático confirmado por biópsia, mas que apresentem baixo grau tumoral, pois sabe-se que estes tumores têm baixa malignidade e que, estatisticamente, necessitariam de mil pacientes tratados para livrar apenas um paciente da morte por câncer de próstata.

Em relação ao tratamento, continua sendo a prostatectomia radical o tratamento de eleição para os casos de doença localizada, principalmente quando realizada por via minimamente invasiva (laparoscópica ou laparoscópica auxiliada com robô), devido à baixa morbidade e resultados oncológicos e funcionais (continência urinária e potência sexual) superiores aos obtidos pela técnica aberta convencional, na maioria das séries comparativas publicadas nas melhores revistas internacionais.

Fonte: Jornal do Commercio

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