Casos de microcefalia avançam nos EUA

LOS ANGELES (AFP) – Dois bebês nasceram com microcefalia na Califórnia após suas mães terem contraído o vírus zika durante a gravidez, disseram as autoridades ontem. Trata-se dos primeiros casos de microcefalia, uma malformação grave que prejudica o desenvolvimento cerebral, associada ao zika no estado norte-americano. Nos Estados Unidos, outros dois casos foram notificados, em junho deste ano, no Havaí e em New Jersey. O Departamento de Saúde Pública da Califórnia (CDPH) não revelou de onde as mães eram, mas disse que elas foram infectadas este ano em um país onde o vírus zika é endêmico. “Embora mosquitos que podem transportar o vírus tenham sido encontrados em 12 condados da Califórnia, não há nenhuma evidência de que esses mosquitos estão transmitindo zika no estado neste momento”, disse o CDPH. Califórnia já registrou 114 casos de infecções pelo zika, todos empessoas que tinham viajado para regiões afetadas pelo vírus, em 22 condados da Califórnia desde 29 de julho. Na última segunda-feira, as autoridades da Flórida informaram que foram registrados 14 casos de zika em Miami, os primeiros transmitidos localmente por mosquitos nos Estados Unidos continental. “Este é um lembrete para os californianos de que o zika pode causar sérios danos a um feto em desenvolvimento”, disse a diretora do CDPH, Karen Smith, pedindo às mulheres grávidas que evitem áreas com transmissão do zika. Não existe cura para o vírus, que causa sintomas brandos como erupção cutânea, dor articular ou infecção ocular. Em 80% dos casos, a infecção passa despercebida. No entanto, o zika é particularmente perigoso para as mulheres grávidas, visto que pode causar danos permanentes ao feto em desenvolvimento, incluindo a microcefalia, uma condição na qual o bebê nasce como crânio e o cérebro menores que a média. Os cientistas estão lutando para encontrar uma maneira de conter o vírus, que está se espalhando em 50 países e territórios, principalmente na América Latina, no Caribe e no estado americano da Flórida. Vacinas Três vacinas experimentais contra o zika estão sendo desenvolvidas nos Estados Unidos e apresentaram bons resultados em testes com macacos, de acordo com um artigo publicado na revista Science ontem. Outras duas vacinas experimentais estão atualmente sendo testadas em humanos nos Estados Unidos e no Canadá. Os resultados chegam em um momento em que pesquisadores correm para encontrar uma maneira de prevenir a infecção pelo vírus, transmitido por mosquitos e que pode causar malformações fetais graves. “Três vacinas forneceram proteção total contra o vírus zika em primatas não humanos, que são o melhor modelo animal antes de começar os testes clínicos”, disse o autor sênior Dan Barouch, professor de medicina na Harvard Medical School. Uma das vacinas é a chamada ZPIV, produzida com vírus purificado e inativado do zika, desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa do Exército Walter Reed (WRAIR).

Fonte: Folha de Pernambuco

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