Casos suspeitos de meningite preocupam

A internação de mais uma criança com suspeita de meningite na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Correia Picanço, na Zona Norte do Recife, deixou as autoridades sanitárias em alerta. Nataly Ferreira, 8 anos, pode ser a terceira a apresentar a enfermidade em menos de uma semana. O primo dela, Raí Ferreira, da mesma idade, foi socorrido na última terça-feira, mas, ao longo do dia de ontem, apresentou melhora. A preocupação foi intensificada após a morte de João Vitor Silva de Souza, 12 anos, no último domingo. O garoto, que tinha contato com as duas crianças, contraiu meningite bacteriana, o tipo mais grave. Apesar das suspeitas recentes de infecção, a Secretaria de Saúde do Estado (SES) informou que a situação em Pernambuco está dentro do padrão.

Entre os dias 1º de janeiro e 27 de abril, sete mortes foram contabilizadas na I Gerência Regional de Saúde (I Geres), que abrange os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Recife e Vitória de Santo Antão. Neste período, foram notificados 38 casos de doença meningocócica, dos quais 33 foram confirmados (sendo dez no Recife e quatro em Jaboatão). Neste mesmo período do ano passado foram registrados três óbitos, além de 31 casos notificados e 27 confirmados. Ao longo o ano, 22 mortes foram registradas. Também foram notificados 130 casos, dos quais 111 foram confirmados.

Entre as três ocorrências registradas no Recife desde o último dia 4, a Secretaria de Saúde do município confirmou somente o caso de João Vitor. Os diagnósticos de Raí e Nataly dependem de exames laboratoriais para serem confirmados, o que pode demorar 15 dias. Enquanto isso, foi iniciada a medicação profilática para os contatos domiciliares desses pacientes. Em uma coletiva concedida ontem, a gerente de Epidemiologia do município, Amanda Cabral, destacou que estão sendo tomados cuidados para evitar o surgimento de novos casos, principalmente com contatos próximos, pessoas que moram na mesma casa, dormem juntos ou estavam em contato mais próximo com as três crianças. Nove casos foram notificados no município entre janeiro e o primeiro semestre de maio deste ano.

Os parentes dos garotos internados reclamam de falhas no atendimento da rede municipal. Isso porque, nos três casos, as vítimas foram diagnosticadas com viroses antes de a meningite ser identificada. Horino Souza, pai de João Vitor, o garoto que morreu no último fim de semana, acredita que, se o menino não tivesse sido liberado da unidade de saúde quando a enfermidade ainda apresentava seus primeiros sinais, a vida da criança poderia ter sido preservada. “Ele passou mal na madrugada do sábado. Foi quando o levamos para o Helena Moura (hospital).
Disseram que era uma virose e fizeram ele voltar. Depois, ele ficou péssimo e internamos ele de novo, só que no Correia Picanço. Às 5h30 de domingo, ele já estava morto”, contou.

Fonte: Folha de Pernambuco

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