Catástrofe previsível e evitável (2)

O CUSTO DE UMA CATÁSTROFE dessas é imenso para a população atingida, mas é pequeno se diluído na conta de todos. Os impostos também são para isso. Os recursos públicos devem suportar este inesperado, como a população já vem participando com doações e voluntariado. Assim como é necessária discussão sobre o setor econômico regional e suas responsabilidades.

Saque do FGTS e adiantamento do 13º salário: Convém lembrar que o 13º desde janeiro já está comprometido.As pessoas vivem no limite. E o FGTS é pequena poupança reservada para a aposentadoria. Podem ser válidas como antecipação de medidas de cadastramento, desde que sejam repostos a seguir.

A RECONSTRUÇÂO PÚBLICA: a ação estatal (federal, estadual e municipal) é a grande indutora: sua opção ou será pelo desenvolvimento ou pela manutenção da pobreza. O planejamento estratégico poderá substituir o subdesenvolvimento favelar ribeirinho pela construção da “cidade nova” construída pelo poder público em um altiplano, de maneira planejada e com toda estrutura urbana, mesmo que paulatinamente, conduzindo naturalmente os empreendimentos privados para dentro do novo espaço. E tão importante quanto recursos é articulação e integração das ações. O grande hospital público (regional), referência para toda a região, três vezes destruído por enchente, repetirá o erro e descuido com os recursos públicos, ou irá para o altiplano? As novas pontes serão mais bem construídas ou derrocarão com as primeiras chuvas? Suas cabeceiras sempre serão a “solução mais barata”?

O MONITORAMENTO DA CHEGADA DOS RECURSOS PÚBLICOS: Precisamos de resposta para seis perguntas: Quanto dos recursos federais, estaduais e outros chegarão ao necessitado, seja residente ou de atividade econômica? Quando será divulgado o calendário de desembolsos? Como será a participação da sociedade (igrejas, clubes de serviço, Maçonaria, e principalmente os destinatários menos informados) no acompanhamento e controle do processo? A prestação de conta será em out doors, praça pública e na internet, diária ou semanalmente? Quais as vacinas contra a burocracia e a corrupção? Qual a velocidade dessas ações?

NÍVEL DE PRIORIDADE: a velocidade na adoção de soluções dita o nível de prioridade. Só para lembrar: quando a cidade de Fortaleza amargou o maior racionamento d´água de sua história, o governo cearense construiu a adutora conhecida como Canal do Trabalhador em apenas 90 dias.

CUIDADOS COM OS RIOS: Quantas, e em quanto tempo serão construídas barragens, para contenção das águas, perenização dos rios, abastecimento, irrigação, pesca, turismo, lazer, diversificação da atividade econômica etc.? Quando suas encostas serão reflorestadas, seus leitos limpos e suas margens respeitadas?

É nas crises que nos fortalecemos. É retirando lições das dificuldades que aprendemos a viver melhor. A terra semidesértica obrigou Israel a superdesenvolver a agricultura. O território abaixo do nível do mar fez a Holanda superar-se e ter hoje o porto mais movimentado do planeta. Que escolhas faremos?

Fonte: Antônio Jordão é médico e secretário-geral do Simepe

Confira a parte 1 deste artigo!

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