Cena de cinema para transplante

Brasília – “Atenção, homens. Um coração está disponível para transplante no Instituto do Coração de Brasília, no HFA, e a pessoa compatível com o órgão está entre Ceilândia e Taguatinga, presa no engarrafamento, e precisa chegar em 30 minutos lá. Já perdeu 20.” O aviso saiu da central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para a equipe da unidade de Samambaia (distante 25 km da capital federal). O chamado inusitado causou um misto de nervosismo e ansiedade, porém, o pensamento era só um: tudo daria certo. E deu. Não para Dinalva Gomes de Paula, 39 anos, que apesar de chegar a tempo ao hospital, não se encontrava em bom estado clínico para a operação, mas para uma segunda pessoa na lista de espera de transplantes, que recebeu o coração.

O esforço conjunto foi decisivo para que o coração se mantivesse saudável a tempo de um transplante. Apesar de o órgão ter pertencido a um brasiliense, existe um tempo máximo para iniciar a cirurgia. Na pressa, duas equipes acabaram mobilizadas. O acionamento do grupo de Samambaia veio oficialmente, mas a de Taguatinga também ouviu a ocorrência pelo rádio da corporação. Dois motociclistas seguiram ao encontro de Dinalva e o marido. Por obra do destino, um Veículo de Intervenção Médica do Samu passava pelo local. Ao ver um motorista acenando, parou.

Jonas Gomes de Souza, 53 anos, o piloto do veículo, se tornou o primeiro a encontrar o casal. “Eu parei, e eles me explicaram o que estava acontecendo. Ela desceu do carro de pijama, muito assustada. Olhou pra mim, apontou o dedo para o peito e disse: ‘É o meu coração, vou perder meu coração’”, contou Jonas. Ao saber que Dinalva já tinha ligado para o Samu, os três aguardaram alguns segundos até a chegada dos motociclistas. Jonas acomodou a mulher no banco, respirou fundo e disse: “Você acredita em Deus? Então, confia que já deu certo!”. Os cinco homens levaram cerca de dois minutos para traçarem a estratégia a fim de sair do trânsito congestionado.

O carro estava parado no viaduto de ligação com o centro de Taguatinga, próximo à Feira dos Importados da região. Daquele exato local até o Instituto do Coração são 24km e, segundo o Samu, levaria cerca de 1h30 para chegar lá. Começou, então, uma verdadeira sequência de cinema. Os quatro motociclistas liberaram completamente o centro de Taguatinga e todos os sinais de trânsito até o Cruzeiro. Usaram a faixa exclusiva, tiveram alguns contratempos. No entanto, chegaram ao destino em 8 minutos, dois a menos do que o exigido. “A gente copiou o chamado e viu que ficaria mais fácil para nós, de Taguatinga. No fim, Deus conspirou”, ponderou Tiago da Mota Lima, 36 anos, da unidade do Taguaparque.

Fonte: Diario de Pernambuco

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