Cirurgia é esperança, mas ainda não significa garantia

As hastes telescopadas não são indicadas a todo paciente, apenas aos mais graves, nos quais a frequência de fraturas e a densidade dos ossos impedem a realização de atividades básicas como andar.
Responsável por inserir duas hastes no osso, de espessuras diferentes e com encaixes de ajuste natural, o procedimento já é mais avançado que intervenções anteriores, que utilizavam hastes estáticas, constantemente substituídas. “Esse mecanismo nem sempre funciona. É quando encontramos a telescopagem negativa – em vez de acompanhar o osso, ela trava”, diz o ortopedista pediátrico do Hospital das Clínicas Luiz Felipe Albanez.
O erro na telescopagem pode ser consequência de uma série de fatores, entre eles, a má qualidade do osso que nem sempre oferece a fixação necessária para a expansão das hastes. “O princípio é muito bom, mas os aperfeiçoamentos do hardware ainda são necessários”. A pouca quantidade de cirurgias do tipo no país também é ponto contra, já que muitos médicos têm menos referências locais ou exemplos de pós-operatório.
O procedimento é doloroso, mas uma das partes mais complicadas é o pós-operatório. Como a intervenção envolve a quebra completa do fêmur, a criança precisa ficar imobilizada, o que pode comprometer movimentos. “Uma pessoa com osteogênese já tem deficiência na qualidade do osso. Quanto mais tempo sem andar ou ficar de pé, mais essa qualidade será prejudicada”, explica Albanez.
Um dos poucos casos de hastes telescopadas implantadas foi do Paraná. Andreia Giroldo, junto à defensoria pública do estado, conseguiu a permissão para operação da filha Emanuelle. Ainda não é possível saber se as hastes vão acompanhar o crescimento, mas a menina já apresenta melhora no desempenho. “O resultado foi rápido. Ela já está andando. Se o SUS fizesse a cirurgia, as crianças teriam bem menos traumas”, opina.

Fonte: Diario de Pernambuco

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