Entidades denunciam as péssimas condições das USF do Recife

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) divulgaram o resultado da segunda edição da Caravana nas Comunidades, nessa terça-feira (04). O balanço anunciado pelos caravaneiros expôs a realidade precária na fiscalização dos serviços públicos das unidades de saúde da família (USF), hospitais e maternidades de 15 comunidades do Recife, durante os dias 22 de abril a 27 de maio.

O projeto percorreu nas localidades em três fases. A primeira delas, no Cabanga, Alto do Pascoal, Morro da Conceição, Carangueijo Tabaiares e Arruda. A segunda parte no Pina, Linha do Tiro, Alto José Bonifácio, Vila da Felicidade e Chão de Estrelas. Por fim, a última etapa no Bongi, Torrões, Chico Mendes, Jardim São Paulo e Dancing Days. Nos lugares, as deficiências encontradas pelos integrantes refletem na infra-estrutura, na insuficiência de materiais, na falta de medicamentos, como no déficit de médicos especialistas em algumas áreas, como cardiologia, neurologia, psiquiatria, ortopedia e reumatologia para assistência dos usuários. Ainda, quatro áreas estão descobertas de unidades de saúde.

De acordo com o médico fiscal do Cremepe, Otávio Valença, a estrutura física das comunidades são inadequadas para as normas padrão de qualidade e assistência continuada dos pacientes. “Elas funcionam de forma regular, algumas tem um serviço melhor em algum critério, mas em outros deixam a desejar. A maioria delas funcionam com duas equipes médicas, com sala de arquivo inadequada, sem sala de curativos apropriada para feridas infectadas, como para coleta de exames e para pré-consulta do auxiliar de enfermagem. São algumas situações problemáticas descritas em relatório, como o caso de três agentes comunitários de saúde com desvio de função”, demonstra.

“Recife possui 100 comunidades carentes, já visitamos 31 delas, sendo que, 16 no ano passado e 15 neste ano, logo esperamos chegar ao número de 50 para constatar com dados, o que observamos que a capital não tem 26% de área de cobertura municipal. Nas USF’s faltam profissionais, receituários, esparadrapos e remédios, que pela Lei Federal de número 8.080, as instituições públicas federais, estaduais e municipais devem garantir assistência farmacêutica, expõe o coordenador da iniciativa, Ricardo Paiva.

Dados sobre o questionário da pesquisa de rua acerca da qualidade de vida da população, sobre os temas de combate a violência contra a mulher e uso de drogas, diversão, educação pública, transporte público, habitação, coleta de lixo e homofobia foram apresentados pelo diretor do Simepe, Silvio Rodrigues. “40 usuários opinaram sobre cada aspecto da comunidade, através dos dados colhidos chegamos a uma conclusão que a percepção da população é negativa, pois 54% dos entrevistados apontaram tanto na atenção básica como nos serviços avançados a situação defasada que a saúde encontra nestes 150 dias da nova gestão da Prefeitura do Recife”, concluiu.

Na oportunidade, ainda foi mostrado um vídeo com o grupo de Teatro de rua da Caravana Cremepe e Simepe, que levou muita alegria e animação com conteúdos informativos sobre cultura de paz, entre outros temas, ao cotidiano dos moradores das regiões, que participaram das rodas de debates promovidas pelos atores.

PONTOS POSITIVOS

Nas comunidades, o destaque para os projetos sociais: Cacau, no Pina, e Daruê Malung, na Chão de Estrelas; que também ressalta pela biblioteca comunitária, a exemplo da Carangueijo Tabaiares. Sendo que esta última, junto com a do Morro da Conceição receberam o título de melhores unidades na área de infra-estrutura.

Participaram do evento, em plenária, na sede do Cremepe, presidente do Conselho, Helena Carneiro Leão, presidente do Simepe, Mário Jorge Lobo, presidente da Associação Pernambucana de Medicina de Família e Comunidade (APEMFC), Verônica Cisneiros , e as coordenadoras do projeto, Fernanda Soveral e Rafaela Pacheco.

Fonte: Assessoria de imprensa do Cremepe

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