Aviador de receitas
O governo está no propósito de ampliar o alcance da saúde pública baseado na presença do médico, seja brasileiro ou estrangeiro, por imposição ou contratação. Não pode dar certo. Há alguns anos, com os mesmos bons propósitos de limitar a automedicação, a agência governamental reguladora do setor de saúde, Anvisa, tentou sustar a publicidade desenfreada dos medicamentos, através de decreto. De pouco ou nada adiantou.
Bastam alguns minutos diante da TV para comprovar que, no Brasil, se ganha dinheiro com a doença e não com a saúde, tantos são os anúncios de remédios. Nesse ramo não há lugar para sadia política sanitária, que deveria começar nas escolas com a educação de práticas alimentares saudáveis, substituída muitas vezes por uma merenda escolar fraudada, adulterada, roubada. Seguiria com médico da família, uma política preventiva, participação da sociedade, que deveria ser conscientizada de que saúde é um bem durável, caro e precisa da fiscalização de todos.
Enfrentar essas barreiras e as indústrias de medicamentos que investem mais em propaganda do que na qualidade do produto, é guerra quase sempre perdida. Colocar médico num carente município brasileiro, onde faltam as mínimas condições de trabalho, pode não ser tarefa impossível. Difícil será impedir que ele seja simples aviador de receitas.
Fonte: Diario de Pernambuco



