Sofrimento
Lentes da Aduseps revelam que as macas ocupadas por pacientes, nos corredores do HR, continuam sendo a referência mais negativa do hospital. A ouvidoria da Associação ainda registra denúncia de que eles também se veem obrigados a aspirar cheiro forte de tinta, pois as paredes estão sendo pintadas.
A via crucis de Vitória
Uma história que explica por que a crença na saúde pública continua em nível tão crítico. Era 18 de abril de 2012 quando Vitória Carla Barros Cavalcante, com queixa de febre alta e dor no olho esquerdo, foi levada pela mãe, Ivone de Lima, à UPA de Nova Descoberta. Lá, o médico prescreveu um remédio e a paciente voltou para casa. Como tudo hoje é diagnosticado como “virose” ou algo simples assim (?), a menina precisou novamente de ajuda e quatro dias depois bateu à porta da Policlínica Amaury Coutinho.
Diagnóstico: sinusite. Nada de melhorar. Próxima parada, PSF de Passarinho, onde, por conta de um olho edemaciado, o médico achou melhor que a família a levasse a uma unidade oftalmológica. Foi, então, para a Fundação Altino Ventura, no dia 25. Lá, novo médico concluiu, depois de rápido exame, tratar-se realmente de uma sinusite. Sem alteração no quadro, retornou à Policlínica Amaury Coutinho, em 13 de maio, passou pela triagem e foi encaminhada ao HR. Era o último endereço, pois lá Vitória faleceu vitimada por uma meningite a que vários médicos chamaram de sinusite, virose. No dia seguinte ao óbito, a família registrou um B.O na Delegacia do Espinheiro, mas esperou até a última terça-feira que a polícia abrisse inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte. Ontem, finda a paciência, parentes se uniram à Pastoral da Saúde da Arquidiocese de Olinda para protocolar denúncia na Procuradoria Geral da Polícia Civil, no Conselho Superior do Ministério Público e na OAB-PE. Porque impunidade mata tanto quanto desrespeito à vida.



