COLUNA – JC NAS RUAS (Cláudia Parente)

Triagem da vida

As unidades de prontoatendimento (UPA) surgiram para desafogar as grandes emergências do Estado. A intenção era evitar que os hospitais ficassem lotados com casos sem gravidade. Mas, passados alguns anos, há denúncias de que as UPAS estariam funcionando como barreiras que impedem o acesso de pacientes (muitos em estado grave) aos hospitais do SUS. O motivo seria a imprecisão no diagnóstico.

A família de Irenice Santos, 45 anos, acredita que a falta de atendimento adequado causou a morte dela no dia 16 deste mês. Com forte dor de cabeça, Irenice foi levada no dia 2 para a UPA da Imbiribeira, onde receitaram apenas analgésicos. Como a dor não parou e ela mal conseguia andar, no dia 6 voltou à mesma unidade, sendo diagnosticada com enxaqueca. Cada dia pior, Irenice foi levada ao Hospital da Restauração, que só atendia com encaminhamento de uma UPA. Então, no dia 12, Irenice foi socorrida pela UPA de Jardim Paulista e, pela primeira vez, pediram exames de sangue e urina.

Dois dias depois, a mulher foi levada à Policlínica de Afogados, onde passou mal. Só então encaminharam ao HR. Mas era tarde demais. Um dia depois ela estava morta por encefalopatia de causa desconhecida. A pergunta é: como o pessoal das UPAs define o que é emergência ou não para enviar um paciente a um grande hospital se nem sempre faz qualquer exame? Com a palavra, a Secretaria de Saúde.

Fonte: Jornal do Commercio

 

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