O nó da saúde
O Programa Mais Médicos, que as corporações da medicina estão contestando por todos os meios, inclusive na Justiça, não será a redenção dos brasileiros na questão da saúde, mas resolverá uma parte do problema. A falta de médicos, sobretudo no interior e nas periferias, é um fato só ignorado por quem vive no fausto. Mas a solução estrutural depende mesmo é de novas fontes de financiamento de um serviço que a Constituição estabeleceu como universal, mas o Estado não consegue oferecer a contento.
Durante alguns anos, a cobrança da CPMF aportou recursos retirados de todos os brasileiros bancarizados. A fonte secou, chegou a hora de encontrar outra. Os 25% do royalties do petróleo virão a longo prazo e não serão suficientes. No Senado, foi criada uma comissão especial para estudar o assunto, que tem como relator o senador Humberto Costa (PT-PE), ex-ministro da Saúde. Na Câmara, há uma comissão similar, que tem como relator o deputado Rogério Carvalho (PT-SE). O governo deve estar fazendo seus estudos também.
A verdade é que, para investir na melhoria dos serviços públicos, o país precisaria de uma reforma tributária que taxasse os mais ricos, especialmente os rentistas e os especuladores. A CPMF caiu porque era injusta, tirava de todos e tolhia o crescimento. Mas, com o sistema político que temos, com esse presidencialismo de coalizão que aprisiona todos os governos, jamais será aprovada. Por isso é que se diz que a reforma política é a mãe das outras.
Fonte: Diario de Pernambuco



