A dengue é uma das enfermidades mais democráticas com as quais convivemos. Não poupa ricos ou pobres. Adultos ou crianças. Brancos, negros ou índios. O caráter igualitário impõe combate coletivo. Estado e sociedade têm de ser dar as mãos para, juntos, travar guerra sem trégua contra o inimigo comum. Sem a efetiva cooperação, permanecerão brechas que se aliam ao Aedes aegypti e multiplicam as ocorrências.
São alarmantes os dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Comparadas as estatísticas das sete primeiras semanas de 2013 com as de 2012, comprova-se que triplicaram os casos de contaminados. Até 16 de fevereiro, o Brasil contabilizou 204.650 registros contra 70.489 no ano passado.
Em Minas, mortes por dengue em 2013 já superaram as vítimas de 2012. No Distrito Federal, o quadro não é mais alentador. Casos crescem 75% no primeiro trimestre de 2013 — foram 435 notificações de janeiro a março contra 248 de 2012. Rio, São Paulo, Mato Grosso, Pará não fogem à regra. Exibem números preocupantes.
O governo, claro, não pode baixar a guarda. Além das medidas preventivas, precisa manter estoque de remédios, leitos disponíveis na rede hospitalar e equipes treinadas de atendimento capazes de diagnosticar prontamente os sintomas da pessoa infectada. Precisa, também, mobilizar a população. A exitosa experiência brasileira em campanhas educativas deve ser invocada para convocar o povo a se tornar aliado no combate ao inseto.
Atenção especial merece o lixo. Os resíduos modernos são inimigos do povo, independentemente da classe social. Cacos de louça, casca de ovo, embalagens plásticas, restos de brinquedos, eletrodomésticos quebrados, eletroeletrônicos sem validade, móveis transformados em entulho, bijuterias, tampas, pratos, copos e garrafas descartáveis formam ambiente ideal para a cultura do Aedes aegypti.
Não só. Pneus abandonados ou transformados em floreiras ou balanços, caixas-d´água sem a devida vedação, vasos com pires de água são objetos corriqueiros em casas e jardins. Apesar do alerta sobre o risco que representam, faz parte da personalidade do brasileiro a tendência do “comigo não acontece”. Enganam-se. Não só acontece como abre a porteira para que aconteça com os familiares, os vizinhos, os moradores do bairro e da cidade.
É importante, por isso, a adesão de adultos e crianças na prevenção da dengue. Escolas, igrejas, clubes, ONGs, meios de comunicação de massa e, sobretudo, campanhas educativas têm importante papel a cumprir. Devem contribuir no processo de mudança da mentalidade. Cada pessoa tem de se sentir agente sanitário. E agir.
Fonte: Diario de Pernambuco



