Segunda causa de morte por doença no País, atrás apenas dos problemas cardiovasculares, o câncer assusta pelas estatísticas alarmantes. Só no Brasil, cerca de 580 mil pessoas descobrirão que têm algum tipo da doença em 2015, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A Organização Mundial da Saúde (OMS) chama atenção para o impacto global: 22 milhões de casos serão diagnosticados em 2030, contra os 14,1 milhões detectados em 2012. Esse quadro indica a necessidade de um reordenamento das prioridades da gestão pública e do comportamento de toda a sociedade. O aumento da expectativa de vida da população brasileira acena para a exponencialização desse quadro, já que o grupo da terceira idade é o mais suscetível a desenvolver câncer e outras doenças. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que o País será o sexto do mundo em número de idosos daqui a dez anos, com 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. As estimativas mostram que, em 2030, essa faixa etária será maior do que a de crianças e jovens de até 14 anos. E, em 2055, o Brasil terá mais idosos do que pessoas de até 29 anos. Frente a esse cenário, cabe aos governos federal, estaduais e municipais se unirem a fim de planejar o enfrentamento do câncer nas proporções de uma patologia que engloba mais de 100 diferentes formas de se manifestar. O mal precisa ser cortado pela raiz, tamanhas são suas particularidades, com ações de conscientização sobre a importância de se alimentar adequadamente, praticar exercícios físicos, não fumar, não beber e fazer sexo seguro. E isso não é tudo. O poder público deve criar condições para garantir à totalidade da população o acesso à atenção básica de saúde de qualidade e aos primeiros exames, bem como a capacitação dos profissionais em relação ao conhecimento sobre o câncer. Vale lembrar que o diagnóstico precoce ameniza as dificuldades do tratamento e aumenta as chances de cura. O desenvolvimento de planos de atenção oncológica para estados e municípios torna-se medida fundamental para a redução da incidência e das mortes causadas pelo câncer. Tratam-se de estudos, com metas a serem cumpridas em pelo menos uma década, para estimular o desenvolvimento de todas as áreas relacionadas à doença em determinado território, desde a promoção à saúde e a prevenção, passando pelo diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos.
Fonte: Folha de Pernambuco



