Começa Conferência Estadual de Saúde. O que você espera dela ?

Usuários, trabalhadores, gestores e prestadores de serviços do SUS têm desta quarta (7/10) à sexta-feira (9/10), no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, a missão de discutir o futuro do SUS e o que deve ser prioridade para a rede estadual de saúde nos próximos quatro anos. Está começando a 8ª Conferência Estadual de Saúde, com o desafio de construir um serviço integral em tempo de vacas magras, questionamentos sobre o modelo de gestão com maior participação de terceiros e de incertezas quanto ao financiamento do sistema. O momento também é de ameaças a muitos passos dados anteriormente para corrigir desigualdades no acesso à atenção de qualidade, priorizar os mais pobres e enfrentar o preconceito de raça, cor, sexo, gênero e credo.

A conferência presta justa homenagem à advogada Vera Baroni, com história de luta contra o racismo, em defesa da mulher, dos negros e das religiões de matriz africana. Vera também foi voz forte nos anos iniciais do conselho, em defesa de um SUS justo, público e integral, da prevenção das doenças ao tratamento mais complexo, como se discute agora. O problema é que além de lutar pela manutenção do sistema único, todos esses segmentos que fazem o SUS precisam estar atentos a uma série de problemas que concorrem paralelamente: da interferência que inibe um agente de saúde a não orientar o uso de camisinha (preservativo contra a AIDS) aos jovens por questões religiosas a projetos de lei que pretendem retirar do governo o dever de oferecer saúde pública aos cidadãos. Em meio a isso, há um processo crescente de terceirizações que aumenta rotatividade nos serviços, impede vínculos com a comunidade e o aperfeiçoamento profissional do trabalhador, prejudica a identidade e o controle social do SUS. Afinal, em qual dos hospitais e UPAs terceirizados existe conselho gestor?

A Conferência começa às 10h e prestará homenagem também a usuários, gestores e profissionais que se destacam na defesa da saúde como direito. Entre eles, os ex-secretários de Saúde do Estado, Gentil Porto, do Recife, Paulo Dantas, e Cristina Sette, de Camaragibe e Caruaru; a médica Renê Patriota, fundadora da Aduseps, associação que dá assessoria jurídica aos usuários do SUS e promove uma ouvidoria popular nos hospitais; os comunitários Adson Silva e João Batista; e a farmacêutica Veridiana Ribeiro. Que a vasta experiência dessas pessoas possa ajudar o grande grupo de mais de dois mil participantes a definir caminhos para o SUS que todos nós precisamos. O que sair de lá será levado à 15ª Conferência Nacional de Saúde, em dezembro.

Fonte: Jornal do Commercio

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