A 35 graus negativos, a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), fábrica de R$ 670 milhões em construção em Goiana, Zona da Mata Norte do Estado, deu início oficial às operações de seu primeiro módulo. Ontem, recebeu o primeiro carregamento de plasma sanguíneo humano, matéria-prima dos medicamentos hemoderivados que irá produzir a partir do final de 2014. Quando estiver operando plenamente, a Hemobrás vai fabricar seis produtos que combatem doenças como hemofilias, cirrose, cânceres e até aids, além de ajudarem na recuperação de vítimas de queimaduras. Dez mil bolsas vindas de Natal (RN), João Pessoa e Campina Grande (PB) foram registradas, etiquetadas e armazenadas em uma câmara fria. Hoje, um novo caminhão oriundo de São Paulo e Brasília chega na unidade. Até o final de 2012, serão recebidas 150 mil bolsas.
A Hemobrás produzirá os hemoderivados fatores de coagulação 8 e 9, albumina, imunoglobulina, complexo protombínico e fator de von Willebrand. Hoje, todos eles precisam ser importados pelo Brasil. Quando começar a funcionar, a estatal fará com que as compras feitas fora do País sejam reduzidas pela metade e o governo federal economize, com isso, R$ 800 milhões por ano do dinheiro público. Além disso, colocará o Brasil em um seleto grupo de 15 países com complexos fabris desse segmento farmacêutico de alta complexidade no mundo.
Os medicamentos produzidos pela Hemobrás serão gratuitos para os pacientes. Nesse primeiro momento de operação, entretanto, a planta só fará o processo de triagem e armazenagem do plasma. A matéria-prima que começou a ser recebida ontem embarcará em fevereiro para a França, para o Grupo LFB, provavelmente pelo Porto do Recife, adiantou o diretor de Produtos Estratégicos e Inovação da Hemobrás, Luiz Amorim. Em seguida, os medicamentos retornarão prontos e serão distribuídos pela estatal para todo o País. Hoje, a armazenagem do plasma é feita por uma empresa contratada pela LFB, em São Paulo.
A empresa biofarmacêutica francesa é responsável também pelo fornecimento dos equipamentos e sistemas, montagem e qualificação do maquinário, além de validar todo o processo de produção da Hemobrás. O contrato é de 150 milhões e fez com que o volume total de investimentos da unidade saltasse de R$ 540 milhões para R$ 670 milhões.
A estatal federal depende fundamentalmente das doações de sangue dos brasileiros. É preciso que as doações subam para 3,5 milhões de litros de sangue anuais, em 2016, para gerar 500 mil litros de plasma, possibilitando assim ao complexo fabril atingir seu pico de utilização de capacidade produtiva, comentou Luiz Amorim
Se a meta for alcançada, as importações dos hemoderivados cairiam em 70% e o Brasil se tornaria o maior produtor da América Latina. Hoje, estão disponíveis 300 mil litros por ano de plasma que permitem produzir 1,4 milhão de frascos anuais. Por questões constitucionais, a Hemobrás só pode produzir hemoderivados para o mercado interno (já que o plasma é coletado de forma gratuita em 115 hemocentros nacionais e pertence, portanto, aos brasileiros). Porém, comentou Luiz Amorim, é possível que, no futuro, a estatal receba plasma de outros países da América Latina e produza hemoderivados para os doadores, encontrando formas de rentabilizar seus serviços de armazenagem e transporte, por exemplo.
A Hemobrás está com 20% de sua estrutura física concluída, fruto de um aporte de R$ 60 milhões até agora. São dois blocos finalizados, de um total de 17. Em dois anos e meio, todo o investimento feito no projeto terá trazido retorno, estima a empresa. Na primeira etapa de operação, estão empregadas 20 pessoas. Quando estiver em pleno funcionamento vai gerar 360 empregos diretos e 2.720 indiretos.
Fonte: JC



