Durante três semanas, o Comitê de Estudos da Mortalidade Materna de Pernambuco visitou sete maternidades do Estado e revelou a precariedade dos estabelecimentos. “Os números provam que as mulheres estão sofrendo mais do que deveriam”, analisa Regine Bandler, uma das integrantes do grupo. No topo da lista, o Hospital do Tricentenário de Olinda: instalações precárias, superlotação e violência obstétrica, que também se estendem às demais instituições visitadas.
Os problemas apontados têm início ainda no pré-natal. “Um exemplo são as clínicas de diagnósticos que alguns municípios oferecem. Há casos em que a mulher faz o exame ainda durante a gestação e só vai receber o resultado depois do parto, tarde demais”, explica a enfermeira obstetra e membro do comitê Maria Clara. Do pré-natal, o problema se estende até a hora do bebê nascer.
Por causa da falta de informação, de incentivo por parte dos médicos e das desvantagens para o hospital, a mulher gestante é induzida a optar pelo parto cesáreo. “Mães de outras cidades, sem estrutura para receber gestantes em trabalho de parto, peregrinam para o Recife atrás de uma maternidade pública. Durante o caminho, vão surgindo complicações que não existiam”, explica Sandra Valongueiro, também do comitê. Aliás, 57% dos partos feitos nas maternidades do Recife, são de mulheres que vieram de outras cidades. Isso explica o porquê de nos últimos 10 anos não haver registro de nascimento em Igarassu, por exemplo. “Problema que seria facilmente resolvido se existissem centros de parto normal nessas cidades.”
A pesquisa apontou ainda, que cerca de 40% dos partos de alto risco, realizados em hospitais especializados, não seriam necessários se a estrutura fosse outra. “É toda uma rede que precisa ser reestruturada. Falta investimento em pessoal, em ambientes mais humanizado e pessoas que queiram humanizar o parto. Não ser apenas um parto vaginal”, continua Maria Clara.
Quando finalmente conseguem dar entrada na maternidade, mais problemas surgem. “Quando não é o pré, é o pós-parto que está lotado. Alguns equipamentos, como cama vertical e bolas de pilates, não são utilizados. Não há privacidade. As gestantes aceitam o que os médicos decidem – por falta de informação, tomam medicamentosa como ocitocina para acelerar o parto…”, diz Clara. Os documentos e fotos serão entregues aos hospitais visitados, à ouvidoria do SUS, Ministério Público, 1ª Geres, ao fórum da Rede Cegonha e secretários de Saúde.
Fonte: Jornal do Commercio



