Comitê: há falhas no pré-natal

Identificar os gargalos que dificultam a rede de assistência o parto em Pernambuco e que reflete na superlotação de algumas maternidades e na desassistência de outras. Essa a tarefa de um comitê técnico-operacional criado pela Secretaria Estadual de Saúde SES) há um mês. O grupo vai verificar os centros obstétricos as quatro microrregionais pernambucanas. A apuração obre as falhas na rede tanto estadual como municipal compeou pela 1ª macrorregional do estado, que inclui o Recife e a região Metropolitana (RMR), a ata Norte e Sul e as primeiras idades do Agreste. E o primeiro diagnóstico já identificou problemas no acesso ao prénatal, que reflete em complicações na gestação e no parto. “Um dos pontos que percebemos é a fragilidade do pré-natal de baixo risco nos municípios, que não conseguem garantir o acesso a exames e a especialidades. Isso é uma das causas do nascimento prematuro por infecção urinária, óbios fetais, infecção de mãe e do recém-nascido por sífilis. E udo isso é evitável se o pré-natal for revisto”, contou a diretora de Políticas Estratégicas e Saúde da SES, Flávia Magno. Esse adoecimento da gestante sem acompanhamento a atenção básica reflete nas maternidades de alto risco, que virama última opção para las. E o comitê já identificou que o problema não está na qualificação dos médicos e enfermeiros, uma vez que 80% esses profissionais já são capacitados. As dificuldades estão a falta de equipes nas unidades de saúde e de recursos ara manter as maternidades funcionando. “A situação financeira em que se encontra o país também se reflete no Estado e nos municípios. As cidades acabam sendo muito generalizadas. É difícil para as prefeituras conseguirem manter uma maternidade aberta om equipe mínima”.

EXEMPLO A dona de casa Ana Lúcia da Silva, 37 anos, sabe das dificuldades conseguir realizar m bom acompanhamento ré-natal. Moradora do bairro e Pau Amarelo, em Paulista, região Metropolitana do Recife (RMR) a gestante, grávida do quarto filho, recorreu a maternidade do Cisam, no bairro da encruzilhada, no Recife. “Já tive filhos no Recife e em Paulista e também fiz o pré-natal nas duas cidades. Aqui no Cisamémelhor. Consigo fazer todos os exames. Em Paulista já dei viagemperdida ao posto. Não tinhamédico e a fila de espera pelo preventivo passava de ummês”, revelou.

REGIONALIZAR Casos como o de Ana Flávia são comuns em vários outros municípios. Para a diretora de Políticas Estratégicas de Saúde da SES, Flávia Magno, uma saída seria a pactuação entre municípios para manter uma maternidade em pleno funcionamento por microrregião garantindo o atendimento das gestantes daquela área. “Não dá para a gente garantir excelência no atendimento com uma maternidade por cidade. É inviável”, avaliou. De acordo comela essa foi uma sugestão oferecida às prefeituras, mas a SES não pode impor a regionalização. “Não podemos intervir na autonomia do município. Podemos ajudar na condução emontagemdos planos, mas a decisão é dos municípios”, afirmou.

MELHORIAS Soluções para combater o caos do segmento materno infantil estão sendo pensadas pelo comitê. “A curto prazo nós precisamos fazer rodar leito. É o objetivo principal. E sem construir uma parede. Para fazer isso temos que garantir os partos de baixo risco aconteça onde devem e não cheguem às grandes maternidades, onde devem ficar os de alto risco”, disse Flávia Magno. Já amédio prazo, adiantou a diretora, o foco é ampliar a oferta de residência em enfermeiro obstetra. Esse profissional, explica, está habilitado na Rede Cegonha para fazer os procedimentos emCentros de Parto Normal. “Queremos no meio deste ano já ter os primeiros resultados na rede. Ter a melhoria do acesso ao pré-natal, com pacientes que cheguem ao parto sem infecção urinária e sem sífilis”, destacou.

FISCALIZAÇÃO O comitê ainda está fiscalizando as maternidades da 1ª macrorregional. Os dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do SUSmostram que nessa área foram realizados 62,7mil partos no ano passado. O número representa mais da metade dos procedimentos realizados no Estado em 2014, que somaram 103,5 mil. Amacro conta com72maternidades e tem 1.360 leitos.

REDE CEGONHA Em relação à Rede Cegonha, que estabelece áreas para partos com acompanhamento, estão previstas para junho as obras de construção de Centros de Parto Normal nos hospitais Fernando Salsa, em Limoeiro e Emília Câmara, em Afogado da Ingazeira. Os dois serão o primeiros estaduais a fazerem as reformas de adequação dos espaços que permitam melhorias no parto humanizado.

Fonte: Folha de Pernambuco

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