Conscientização pela vida

Pesquisa da Secretaria de Saúde de Pernambuco mostra que nos dois primeiros meses deste ano Petrolina captou seis dos dez corações transplantados no Estado, o que pode parecer muito pouco em números absolutos, mas corresponde a 60% dos procedimentos dentro de uma realidade cultural marcada pela resistência, pelo temor e preconceito, um quadro que vem sendo enfrentado através do trabalho de informação e conscientização pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital Dom Malan. O coordenador, Pedro Carvalho, entende que Petrolina se sobressai na doação por causa do amparo que a família recebe onde o parente está internado. “Quando há insatisfação com a assistência médica, geralmente há uma quebra de vínculo, o que favorece a recusa da doação”. Por isso, a média de recusa familiar no município sertanejo é de 33%, enquanto no Estado é de 47%.

Impressiona nesses dados a constatação de que – em matéria tão delicada como é a doação de órgãos pesa, e muito – o apuro profissional que consiste em informar com precisão sobre morte encefálica é fator decisivo para esclarecer e instalar confiança. Essa é uma tarefa primordial, não apenas em Petrolina, mas com relação a todas as comissões intra-hospitalares de doação de órgãos, tecidos e transplantes nas unidades de saúde do Recife, interior e nas Organizações de Procura de Órgãos da capital e de Caruaru.

Há muitas pedras no caminho a serem removidas para que se venha a enfatizar a sobrevida que resulta da solidariedade no luto, uma possibilidade que se aplica a mais de 1.200 pacientes à espera de um órgão ou tecido só em Pernambuco, mesmo com um meticuloso trabalho que vem sendo realizado no Estado desde 1994, com a Central de Transplantes, que contribui para manter a esperança, regulando a lista dos receptores, recebendo notificações de potenciais doadores com diagnóstico de morte encefálica e articulando a logística que torna possível a cirurgia.

Por ser um tema tão delicado, por razões sentimentais e culturais, talvez falte ainda um trabalho permanente de massificação, como se faz, por exemplo, diante das ameaças de epidemias que podem ser controladas através da vacinação. Não se diz com mais frequência que temos uma legislação minuciosa e rigorosa para disciplinar a questão – a lei n° 9.434, de 4 de fevereiro de 1997 -, permitindo uma relação de confiança acima de qualquer suspeita onde ela é mais exigida. Por isso, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos diz que tão importante quanto aumentar a doação de órgãos e tecidos, e aumentar e melhorar os resultados dos transplantes, é incentivar o acesso a todos os que necessitam dos transplantes. E tem como objetivos para 2017 o aprimoramento de três aspectos: doação, transplante e lista de espera. Uma linha de ação que deve contribuir com o bom desempenho que vem sendo alcançado pelos que fazem esse trabalho no Hospital Dom Malan, em Petrolina.

Fonte: Jornal do Commercio

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