Construção de Upinha gera polêmica no Poço

A implantação de uma unidade de saúde vem causando polêmica no Poço da Panela, Zona Norte. A controvérsia teve início em 4 de março, quando o prefeito Geraldo Julio (PSB) autorizou a construção de uma Upinha, voltada à atenção básica e pequenas urgências. Dias depois, um grupo de moradores e frequentadores se mobilizou para questionar a localização da obra, às margens do Capibaribe, em uma rua sem asfalto nem ponto de ônibus. Moradores de comunidades próximas rechaçam o argumento.

O movimento Mangue Capibaribe diz que não é contra o projeto em si, mas sim o lugar escolhido. “Uma Upinha é fundamental, mas não deveria ser à beira do rio”, aponta Marcela Carneiro Leão, arquiteta e residente na Rua Engenheiro Jair Furtado Meireles, endereço do impasse.

Integrantes entraram com representação do Ministério Público sobre a regularidade da obra. De acordo com a interpretação da Lei do Uso e Ocupação do Solo feita pelo Mangue Capibaribe, 40% dessas terras deveriam ser usados para preservação.
A assessoria do Gabinete de Projetos Especiais da prefeitura nega irregularidade. “A área de construção não está dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP)”, afirma, em nota oficial.

O movimento também teme a descaracterização do bairro. “Não tem como fazer Upinha sem rua asfaltada. Conseguiram uma desculpa para construir mais uma via pra carros”, reclama Waldemar Neto, morador da Rua Oliveira Góes. A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Urbanos afirma que “não há previsão de asfaltar a rua.”

A demanda por uma unidade de saúde ganhou voz no início dos anos 2000, quando o então prefeito João Paulo (PT) deu largada no Orçamento Participativo, lembra Alexsandro Alves, morador da Comunidade Poço da Panela. “Faz tempo que a gente luta por esse serviço. Finalmente, chegou.”

“Para os pobres, vai ser ótimo. Para os ricos é que vai ser ruim”, opina Cícero Ferreira, ressaltando latente tensão social. Contrário a uma postura “higienista”, o Mangue Capibaribe diz que a preocupação é ambiental e não deve ser confundida com preconceito.

Hoje a comunidade é servida por uma Unidade de Saúde da Família (USF), em uma casa alugada. “Não temos estrutura nem perto da ideal”, diz a enfermeira Ana Carolina Soares. A ideia da PCR é unificar as equipes da USFs do Poço da Panela e de Santana na Upinha.

Fonte: Diario de Pernambuco

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