A chegada de uma ONG que realiza cirurgias de correção de orelhas em Pernambuco está causando polêmica. O Projeto Orelinha havia selecionado 150 pessoas para passar pelo procedimento até abril do próximo ano, mas foi proibido de atuar no estado pelo Conselho Regional de Medicina (Cremepe-PE). A alegação é que o projeto estaria ferindo o Código de Ética Médica ao cobrar pelo procedimento e que não há demanda reprimida no estado para justificar o mutirão.
Em Pernambuco, a cirurgia de correção de orelha é oferecida pelo Sistema único de Saúde (SUS) nos hospitais das Clínicas (HC), Agamenon Magalhães (HAM) e Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). A determinação do Cremepe foi tomada após sessão plenária extraordinária, em 24 de novembro. O conselho alega que o projeto cobra pelas cirurgias, mas se intitula filantrópico e sem fins lucrativos.
A média estabelecida pela ONG era realizar 10 cirurgias por semana, pelas quais cada paciente pagaria R$ 1.650, divididos em 12 vezes. A entidade diz que os valores são para arcar com a estrutura hospitalar, material cirúrgico e pessoal de apoio. No mercado, uma otoplastia custa entre R$ 4 mil a R$ 8 mil.
“Em nenhum momento o Cremepe nos deu a oportunidade de esclarecimento. Nosso representante foi impedido de participar de uma reunião”, afirmou a presidente do Projeto Orelinha, Leila Assis. A ONG atua há quatro anos no país e já realizou cerca de 4 mil correções em seis estados.
Fonte: Diario de Pernambuco



