Você sabia que a qualidade da morte no Brasil está em 42 º lugar em comparação com outros 80 Países? Que isso tem a ver com o cuidado em casa e no hospital na proximidade da finitude? Sabia também que pessoas sem possibilidade de cura têm direito a ter sua dor aliviada, alimentar a alegria, o corpo e o bom ânimo? Que oferecer tudo isso deve ser também papel da medicina e de todas as profissões da saúde? Sábado passado (10 de outubro) foi o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos e, para marcar a data, a Câmara Temática dessa área do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) lançou um manifesto no qual recomenda que a preocupação em paliar deve estar ao longo de toda a assistência ao paciente, da atenção básica à especializada, no posto de saúde, no hospital, nos centros de tratamento intensivo e no domicílio do doente. Segundo a médica Paula Magalhães, membro do grupo e responsável pelos cuidados paliativos no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), a atenção digna deve ser estendida aos familiares dos pacientes. Segundo ela, no Estado, já funcionam três cursos de especialização no campo paliativo, duas multiprofissionais e uma médica, oferecidas em formato de residência nos hospitais Oswaldo Cruz e Imip. Os dois serviços contam com equipes que atendem principalmente pacientes oncológicos, com doenças degenerativas do envelhecimento ou causadas por outras razões. É preciso, no entanto, que toda a rede SUS funcione integrada com essa preocupação, alerta. Conheça as proposições do Cremepe:
1. Que a população tenha acesso às informações elucidativas básicas sobre Cuidados Paliativos;
2. A adaptação dos currículos de Instituições de Ensino Superior relacionada à formação de profissionais das áreas afins- saúde, social e humanas;
3. O estabelecimento de uma rede integrada, hierarquizada e regionalizada para lidar com a assistência às pessoas com doenças crônicas, progressivas e ameaçadoras da vida;
4. Garantia do acesso à produtos, materiais e medicamentos que viabilizem a atenção em Cuidados Paliativos;
5. A construção da base legal e bioética para compor o arcabouço jurídico e ético para lidar com a terminalidade da vida no estado de Pernambuco;
6. Elaboração de uma estratégia de comunicação para atingir os objetivos propostos acima com os governos (Municipal, Estadual, Federal) e gestores de serviços de saúde;
7. Acionar atores políticos, sociais, religiosos e profissionais para inclusão dos cuidados paliativos nas agendas e nas respectivas mídias.
Dessa forma, esperamos melhorar a qualidade da oferta dos Cuidados Paliativos à população pernambucana, criando uma rede de atenção e de cuidados dignos às pessoas gravemente enfermas.
Câmara Temática de Cuidados Paliativos do Cremepe
Fonte: Jornal do Commercio



