Cremepe visita nove cidades onde falta água

Nove cidades sertanejas e agrestinas, que têm o maior número de habitantes inscritos em programas de atenção à seca, foram visitadas por profissionais do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), na última semana. A caravana queria averiguar como a estiagem, classificada como uma das priores dos últimos tempos, afetou a vida da população em questões sociais e de saúde pública. Um dos principais alertas da incursão é a falta de saneamento e a qualidade duvidosa da água que é ingerida por quem vive na região. As cidades escolhidas no roteiro de vistorias foram João Alfredo, Arcoverde, Serra Talhada, Betânia, Sertânia, Ibimirim, São Bento do Una, Caetés e Bom Conselho. Todas foram percorridas entre os dias 16 e 20 deste mês.

O diretor do Cremepe, Ricardo Paiva, comentou que um surto de diarreia, em 2012, foi um dos fatores que motivou os médicos a fazerem o pente fino na situação dos moradores sertanejos. Segundo ele, foram coletadas amostras de água em escolas municipais e também em hospital com atendimento de emergência. O laudo microbiológico só estará pronto no dia 7 de outubro, mas os relatos da comunidade já indicam perigo. “Há município com caso de cólera e ainda em quarentena. Há caso também de hospital que um diretor confessou usar cota extra de cloro porque resultados internos já identificaram coliformes fecais na água”, revelou. O diretor fez questão ainda de ressaltar que a maioria das unidades de saúde precisam comprar carros-pipas para abastecer os centros. O custeio próprio da água é a prevalência entre os entrevistados (60%), e o preço médio para garantir a água para consumo próprio, para animais e para afazeres do lar variam de R$ 10 a R$ 20 o tonel, e R$ 80 a R$ 130 o carro-pipa.

Outro fator levantado pelos médicos foi a situação de saúde dos professores. Entre os mestres, a pressão alta foi verificada em 27% dos profissionais da rede. O índice é maior que a média mundial da população que é de 20%, segundo estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) e podem estar ligados ao estresse. Surpresa positiva foi verificada quando o assunto foi o peso dos estudantes avaliados. “Esperávamos encontrar peso reduzido ou aumentado pela ‘desnutrição do miojo’”, comentou Paiva.

O levantamento mostrou que as crianças estavam dentro do Índice de Massa Corpórea (IMC) ideal, o que mostrou meninos e meninas fora de padrões de desnutrição. Enquanto isso, o Governo Federal anuncia que o Programa Mais Médicos vai beneficiar 730 mil indígenas que vivem em aldeias. As áreas estão organizadas em 34 Distritos Sanitários Especiais que contam com equipes de saúde indígena.

Fonte: Folha de Pernambuco

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