Pesquisa aponta que 80% das crianças com microcefalia têm estrabismo, enquanto no resto da população a taxa varia entre 3% e 5%. Resultados das cirurgias são animadores.
Três crianças que nasceram com microcefalia em Pernambuco foram submetidas a cirurgias para correção de estrabismo. Segundo os médicos, os resultados foram animadores e a meta é operar, ao menos, 20 meninos e meninas, até o início de 2019. (Veja vídeo acima)
Uma pesquisa feita no Recife pela Fundação Altino Ventura, com 119 crianças com microcefalia, mostrou que 80% delas têm estrabismo. O número de casos é muito maior do que no restante da população, uma vez que a quantidade de pessoas com esse problema varia entre 3% e 5%.
A terapeuta ocupacional Tatiane Freitas acompanha as três crianças que passaram pela operação. Os avanços registrados em pouco tempo pegaram de surpresa toda a equipe médica e as famílias.
“Neste primeiro mês, a gente já consegue observar que as crianças chegam ao centro terapêutico mais ativas, conseguem manter o interesse e a atenção visual mais prolongada pelo brinquedo”, disse Tatiane.
Uma das pacientes foi Grazi, de 3 anos, que nasceu com microcefalia e problemas na visão. Mãe da pequena, Inabela Tavares percebeu a mudança causada pelo alinhamento dos olhos da filha. Ela está mais interativa, curiosa e participativa.
“Eu nunca esperava esse resultado na minha vida. Quando eu comecei a botar um brinquedo na frente dela e ela começou a fixar, para mim, é como se minha filha tivesse nascido na hora”, disse Inabela.
Ainda segundo a terapeuta Tatiane Freitas, os médicos não esperavam uma recuperação tão rápida. “É emocionante ver que, antes, essas crianças tinham dificuldade de dirigir a mão no sentido de desejar explorar e tocar num determinado material. Hoje, durante o processo de estimulação, a gente já percebe que essas crianças têm a intenção”, complementou.
Uma equipe multidisciplinar avalia outras crianças para que elas também sejam submetidas ao processo de correção do estrabismo. Depois dos primeiros resultados, a dona de casa Edma Lima da Silva, que tinha medo da cirurgia, torce para que a filha seja atendida rapidamente.
“Eu queria ver ela olhando pra mim, sabe, eu chamar e ela fixar aquele olho. É a coisa mais importante um filho olhar para a sua mãe e fixar o olho. Eu sei que é o meu maior desejo. Ver ela olhando pra mim é o meu sonho”, explica Edma.
A oftalmologista pediátrica Simone Travassos explica que, além da harmonização estética causada pela cirurgia, as crianças têm melhora no campo visual.
“Os resultados foram maravilhosos, não só na parte estética, que é tão importante, mas também pela função, pelo ganho de campo visual. Estamos muito felizes com esses resultados”, disse.
Fonte: G1



