Crianças pedem socorro

SAÚDE Pelo menos 15 crianças, entre 7 e 12 anos, estavam internadas ontem no setor de traumato-ortopedia do Hospital Otávio de Freitas

Há mais de duas semanas, os movimentos da perna esquerda do filho de Maria da Conceição da Silva, 32 anos, e Wellington Lídio dos Santos, 30, pararam. Na antevéspera de Natal, os pais de Rafael Eloi dos Santos, 12 (completados anteontem) peregrinaram entre um hospital particular e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em busca de assistência para o filho. Na unidade do Curado, receberam a orientação de transferi-lo, em regime de urgência, para o Hospital Otávio de Freitas (HOF), da rede estadual e localizado no Sancho, Zona Oeste do Recife, a fim de realizar uma cirurgia no fêmur. Desde então, a criança aguarda a intervenção em cima de uma cama, sem movimentos da cintura para baixo.

O exemplo de Rafael não é o único na unidade de traumatologia infantil do Otávio de Freitas. Exaustos pela demora e com medo que a situação dos filhos se torne irreversível, mães e pais se uniram ontem para cobrar agilidade na execução dos procedimentos.

“Meu filho não se move e só está piorando. A febre vai e volta, a garganta está inflamada e apareceu uma pequena escara (lesão na pele) em suas nádegas. Os médicos informaram que a situação dele é mais complicada porque o fêmur está deslocado e é preciso chamar um cirurgião vascular, pois o procedimento pode atingir os principais vasos da coxa”, explica Maria da Conceição, mãe de Rafael.

“O pior é a falta de previsão. A única informação que nos repassam é que faltam profissionais”, acrescenta a doméstica Ana Batista da Silva, 46, que acompanha o filho Leandro Vicente, 7, à espera de uma cirurgia no braço, desde 18 de dezembro. “Uma vez, eles marcaram a cirurgia, mas o anestesista faltou, então desmarcaram”, explica.

O menino fraturou o braço enquanto andava de bicicleta, no município de João Alfredo, no Agreste do Estado. Ele está com o braço engessado, mas precisará submeter-se a intervenção cirúrgica para realinhar o osso fraturado.

Carlos Freitas, ouvidor da Associação de Defesa dos Usuários (Aduseps), afirma que há outras crianças aguardando cirurgia ortopédica no HOF. “O Estado fez acordo com hospitais conveniados ao SUS, como a Santa Casa de Misericórdia e o Imip, para desafogar grandes unidades. Não há razão para tanta espera”, avalia. Até ontem, uma média de 15 crianças, com idades entre 7 e 12 anos, estavam internadas no setor de traumato-ortopedia.

MARCAÇÃO

Segundo algumas mães, após informarem à equipe do hospital que acionariam a imprensa, o chefe do setor de trauma passou na enfermaria e informou a marcação da cirurgia de três crianças para hoje. Rafael e Leandro estão no grupo. O restante das intervenções deve ser solucionado ainda esta semana.

Conforme nota enviada pela Secretaria Estadual de Saúde, a direção do Hospital Otávio de Freitas reconhece a grande demanda por procedimentos cirúrgicos na unidade. Alega ainda que, por causa das festas de fim de ano, a procura no atendimento de urgência e emergência aumentou. “Mesmo assim, todas as crianças internadas estão sendo acompanhadas pela equipe médica da unidade de saúde e terão prioridade para a realização das cirurgias, que deverão ser realizadas nos próximos dias”, afirma a nota.

Fonte: Jornal do Commercio

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