
Nesta quinta-feira (12), em entrevista coletiva na cidade de Caruaru, representantes do Sindicado dos Médicos de Pernambuco (Simepe), apontaram uma série de problemas que estão trazendo prejuízos à assistência de pacientes no Hospital Regional do Agreste (HRA) e da Maternidade Jesus Nazareno.
Os médicos, mais uma vez, criticaram o modelo de flexibilização da saúde implantado pelo atual governo estadual e chamaram a atenção da crise vem se agravando nos últimos dois anos, principalmente, na área de assistência materno-infantil. O presidente eleito do Simepe, Mário Jorge Lobo, reiterou a posição da categoria contrária ao Projeto Estadual de Revalidação de Diplomas Estrangeiros (Provalida), cobrou a realização urgente de concurso público e recomposição das escalas nas unidades da rede estadual de saúde.
Segundo ele não existe uma política concreta por parte do Estado de Pernambuco de fixação dos profissionais nas cidades do interior, com plano de carreira de base estadual com instrumentos que incentivem a interiorização do trabalho, investimentos adequados em estrutura física, apoio diagnóstico e rede de referência, garantindo remuneração adequada aos médicos. “Não podemos tolerar e aceitar essa situação. O problema é o reflexo na saúde dos pernambucanos, já que a nossa vida é o bem maior que podemos ter”, enfatizou.
Descaso dos gestores da saúde
O diretor do Simepe, Danilo Souza, assinalou que já se reuniu inúmeras vezes com as direções das unidades de Caruaru, no entanto, ainda não obteve respostas sobre as reivindicações dos médicos. “Mostramos a situação precária das unidades e até hoje não recebemos nenhuma resposta. É falta de vontade política e tratamento diferenciado com outros hospitais. Na realidade, os problemas estão se acumulando pelo menos há 12 anos. Porém, não ficaremos calados devido ao descaso dos gestores da saúde”, frisou.
Durante a entrevista coletiva, os médicos denunciaram os problemas no Hospital Regional do Agreste, como por exemplo; escalas médicas incompletas, acarretando o fechamento de plantões devido a falta de médicos; grande quantidade de pacientes transferidos; contratos médicos por empenho, o que segundo Danilo Souza é uma imoralidade, já que os profissionais são contratados de “boca”, sem contrato de trabalho assinado.

No Hospital Jesus Nazareno que atende 32 municípios da região, a situação é idêntica. A unidade de saúde não oferece condição alguma de continuar funcionando. “São escalas médicas incompletas; plantões fechados corriqueiramente; conflitos diários com a Central de Leitos. A maternidade Jesus Nazareno não tem condições nenhuma condição de funcionar”, acentuou o sindicalista.
O Simepe já encaminhou relatório ao Conselho Regional de Medicina (Cremepe) sobre as condições de funcionamento do HRA e da Maternidade Jesus Nazareno. Além disso, o Ministério Público Estadual/Promotoria de Caruaru fez várias recomendações ao HRA, exigindo a realização de concurso público. A Promotoria vai instalar Ação Civil Pública contra o Estado.



