RECIFE (AE) – O Governo Federal adiou em pelo menos uma semana o início das atividades dos médicos brasileiros e estrangeiros formados no exterior no programa Mais Médicos. Pelo cronograma, os profissionais deveriam começar a trabalhar na próxima segunda-feira. Na prática, os vários recursos na Justiça e a ação dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) começaram a emperrar o plano.
Oficialmente, o adiamento acontecerá porque esses médicos passarão por uma semana de acolhimento nas cidades em que vão atuar para conhecer peculiaridades locais. Esse “acolhimento”, porém, não estava previsto no cronograma oficial. Conforme o ministério, o governo decidiu promover essa semana de acolhimento porque houve demanda dos próprios médicos durante a realização do curso.
Com esse tempo extra, o governo ganha fôlego para tentar resolver o problema de resistência ao projeto enfrentado com vários CRMs, que se recusam a fornecer o registro provisório a esses profissionais sem que eles façam a revalidação oficial do diploma e apresentem a comprovação de proficiência na Língua Portuguesa. Além disso, como o “Estado de S.Paulo” mostrou na última segunda-feira, por causa da demora no pedido oficial de registro provisório, alguns conselhos – como São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul – ameaçavam só liberar registros após o dia 18.
Além do Ceará, ontem o Conselho Regional do Espírito Santo negou o pedido de registro provisório de dois médicos que trabalhariam no programa: um brasileiro formado na Bolívia e um espanhol. O órgão entrou com uma ação civil pública contra o Mais Médicos no dia 20. Já o conselho de São Paulo, por exemplo, disse que recebeu documentos incompletos, feitos em cópias simples, sem traduções oficiais, o que dificultaria a análise dos dados.



