Ter disciplina para frequentar uma academia diariamente e realizar os mesmos exercícios físicos é uma tarefa árdua. São séries e repetições que muitos não gostam de realizar. Não só isso, o ambiente fechado, relações interpessoais, revezamento de aparelhos e até mesmo música são apontados como fatores que podem atrapalhar a continuidade dos exercícios. Com uma dinâmica diferente, aos poucos, Pernambuco torna-se adepto ao conceito crossfit. Metodologia de origem americana e usada por forças operacionais de elite dos Estados Unidos, o programa de treinamento trabalha com exercícios funcionais baseados em situações do dia a dia.
Se as academias tradicionais seguem um sistema linear, o crossfit caminha na direção contrária. “Você treina resistência respiratória e cardiovascular, potência, flexibilidade, precisão, velocidade, vigor, todas as valências físicas do ser humano”, explica o treinador e sócio da Tribo Fitness, Bruno Silva.
Outro diferencial do crossfit é que o conceito vale para todas as idades. “O treino pode ser usado de crianças até idosos. A gente adapta a carga, distância, nível de intensidade. Como nunca há repetição de um treino e sempre há variação de exercício, isso permite resultado para um condicionamento físico geral”, pontua. Em apenas um mês, segundo Bruno, os praticantes já começam a sentir os resultados do treinamento.
Com apenas oito anos de idade, a estudante Maria Eduarda de Carvalho treinava tênis antes de conhecer o crossfit. “Parei porque fiz cirurgia. Meu primo depois perguntou se eu queria conhecer o programa e minha mãe me trouxe”, afirma a criança que ainda diz adorar os exercícios. “Estou gostando muito e quero continuar fazendo”.
O treinador e também sócio da Tribo Fitness, Toby Watson – que trouxe o conceito para o Recife -, ressalta a importância da prática. “A pessoa tem foco e disciplina para crescer com saúde e não ficar parada. Um idoso que pratica o programa está apto para as situações do dia a dia como agachar, carregar sacolas e outras atividades sem se comprometer e também poder tomar conta de si mesmo”, comenta.
Para quem não gosta de dividir os aparelhos e malhar em um local com muitas pessoas, a dinâmica do crossfit permite se exercitar sem essas preocupações. “Os treinos duram uma hora e cada turma tem em média 20 alunos”, explica o treinador Toby Watson. “Além disso, por haver poucas pessoas, isso permite socializar. São diferentes classes sociais e idades, mas que estão apoiando uns aos outros para os términos dos exercícios, na disciplina, frequência. Promovemos também churrascos, passeios para a integração de nossos estudantes”, completa.
Há três semanas praticando crossfit, a publicitária Keila Moraes, 25 anos, conheceu a modalidade através do namorado. “Ele mandava fotos e vídeos de pessoas treinando. Caminhando pela praia um dia, encontramos algumas praticando e nos juntamos a ele”, revela a publicitária que largou o triatlo para se dedicar ao programa de treinamento. “Treinei por um ano e oito meses o esporte. Continuo correndo, mas desisti do ideal de magreza e decidi usar a minha força em outras coisas. Hoje meu rendimento é bom. Sinto-me mais pesada, mas também mais forte e disposta para as atividades diárias”.
Fonte: Folha de Pernambuco



