A defesa do médico Homero Rodrigues da Silva Neto, 41 anos, envolvido no acidente que causou a morte da ambientalista Ludmila Mirelle Inácio da Silva, 27, em 2010, entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar evitar que ele seja processado por homicídio com dolo eventual por ter entregue as chaves do carro à vítima, que estava embriagada. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou que Homero, que teria optado por não dirigir por também estar embriagado, tem responsabilidade pela morte da ambientalista, já que lhe entregou o veículo. A decisão deverá servir de referência para casos parecidos e poderá inclusive atingir
manobristas, caso entreguem veículos a condutores bêbados.
O acidente que matou Ludmila aconteceu no Complexo de Salgadinho, em Olinda. Ontem foi realizada audiência de instrução e julgamento no fórum do município. Com a sentença do STJ, o julgamento ganhou um novo fator a favor da família da vítima e o acusado pode pegar pena entre seis meses e 21 anos de prisão. Até agora, o entendimento da Justiça tem seguido a mesma interpretação da acusação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). “Se ele não queria matá-la, assumiu o risco ao entregar as chaves do veículo”, disse o promotor de Justiça José Edvaldo da Silva.
Quando a denúncia do MPPE foi acatada pela juíza da Vara do Júri, Maria Segunda, a defesa do médico entrou com habeas corpus para trancamento da ação penal junto ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Como o pedido foi negado, a defesa apelou ao STJ, que manteve a interpretação. A defesa alega que o médico cometeu apenas uma infração de trânsito por entregar o carro a alguém embriagado. Nesse caso, a pena iria variar de seis meses a um ano de prisão ou multa.
Protesto
Familiares e amigos de Ludmila foram à audiência vestidos com camisetas com a foto dela. O médico não compareceu. Foi a quarta audiência do caso. A defesa alega que ele não pôde ir porque estava trabalhando em um plantão. A juíza Maria Segunda disse que ainda não há previsão de término das audiências, já que a defesa arrolou testemunhas em várias partes do país. “São 40 testemunhas e é claro que o advogado fez isso para atrasar o processo. As ouvidas serão feitas por cartas precatórias”, afirmou o promotor Edvaldo da Silva.
A perícia feita na época constatou que a ambientalista estava alcoolizada e dirigia o carro. A família da vítima, no entanto, defende que o motorista era o médico. Para o pai de Ludmila, Ivanildo Manoel da Silva, mais importante que as decisões na Justiça é uma maior rigidez na Lei Seca. “Se a fiscalização tivesse pego ele dirigindo embriagado, minha filha não teria morrido. Prevenir é muito importante”, opina.
Fonte: Diario de Pernambuco



