Deficiência auditiva causada pelo zika

As infecções gestacionais pelo zika vírus têm gerado dano auditivo em algumas crianças nascidas com microcefalia. Esses bebês têm perdas de vários níveis na capacidade de ouvir e em alguns casos a surdez é grave. Pesquisadores de Pernambuco já se apressaram na investigação dos primeiros casos e verificam a prevalência da deficiência auditiva entre as crianças acometidas pela Síndrome Congênita do Zika (SCZ). Cerca de 200 meninos e meninas já foram triados pelo serviço de Otorrino do Hospital Agamenon Magalhães (HAM). Alguns bebês vão precisar de forma mais imediata de aparelhos para ampliar a audição. Para outros, a indicação será o implante coclear, que consiste na colocação de um dispositivo eletrônico que visa uma sensação auditiva próxima do normal, também chamado de ouvido biônico. A pequena índia xucuru Nathally Vitorya, 9 meses, foi a primeira paciente do SUS no Recife a receber uma prótese que a permitirá escutar. Antes dela, apenas um menino da rede privada, diagnosticado laboratorialmente para zika, já faz uso do aparelho há seismeses numa compra particular. No caso de Nathally, a mãe dela, Jaiane Santos da Silva, 17 anos, disse que ainda não há confirmação da infecção pelo vírus. Alémda audição comprometida, a bebê tem problemas visuais e gástricos, o que no cenário geral se encaixa nos quadros da infecção congênita pelo zika. “Primeiro, ela fez o teste da orelhinha e deu falha. Depois repetiu comum exame mais completo e acusou. Eu já notava que ela não escutava direito. Só esboçava alguma reação com um barulho muito grande, como uma porta batendo”, comentou a mãe. Nathally Vitorya recebeu as próteses na última segunda-feira e a mãe já notou melhoras. “O pai fica falando, chamando pelo nome dela, e ela já procura a voz”, disse. A menina é a única criança indígena do Estado diagnosticada com microcefalia até agora, segundo do Distrito Sanitário Indígena. A família, que vive na Vila de Cimbres, em Pesqueira, contou que vários índios tiveram sintomas de zika e chikungunya nos últimos meses. Nathally Vitorya é uma das pacientes da fonoaudióloga Valência Marinho, da Fundação Altino Ventura (FAV), que informou haver pelo menos outras quatro crianças na espera por uma prótese. “Oque temos visto é que é uma surdez bilateral do tipo neurossensorial”, disse, sobre os casos verificados na FAV. A chefe do serviço de Otorrino do HAM, Mariana Leal, verificou um padrão variado de gravidade da deficiência. Alguns pacientes têm perda nos dois ouvidos e outros em um. “Se é bilateral, ele precisa ir para uma reabilitação o mais rápido possível porque precisa desse acesso ao som para adquirir linguagem. Para ter acesso aos demais estímulos de reabilitação. Porque, senão, isso vai gerar um impacto do ponto de vista de aprendizado, de fala, de linguagem”, destacou. A médica afirmou a

Fonte: Folha de Pernambuco

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