Pernambuco não tem mais déficit de leitos de UTI neonatal e está perto de se tornar o estado brasileiro com o maior número de leitos de UTI, em geral, proporcionalmente em relação à população. Foi o que disse, ontem, o secretário de Saúde de Pernambuco, Antonio Carlos Figueira, durante a inauguração de uma UTI neopediátrica e uma UCI neonatal (para crianças com até 28 dias). A primeira conta com sete leitos neonatais e três pediátricos. A segunda é uma unidade de cuidados intermediários, voltada apenas para bebês com menos de um mês de vida. As duas funcionam no Hospital Infantil Maria Lucinda, no bairro do Parnamirim, no Recife.
De acordo com o secretário, ontem, antes do início do funcionamento das novas unidades, havia apenas uma criança na lista de espera por leito de UTI neonatal. De acordo com ele, o estado se adequou ao que preconiza a portaria do Ministério da Saúde que trata do assunto. “Mas a assistência neonatal é muito mais complexa. Tem que haver um grande trabalho com os profissionais de saúde sobre o momento de indicar um leito de UTI para o paciente e sobre as condições de alta e o tempo de permanência no leito”, afirmou. A concentração da maioria dos leitos, no entanto, continua no Recife. Dos hospitais que contam com UTI neonatal, só um está no interior. É o Dom Malan, em Petrolina, o que gera um enorme vazio entre a capital e o Sertão.
Cerca de R$ 1 milhão foram gastos na construção e na compra de equipamentos para a UTI e a UCI do Hospital Infantil. Desse total, aproximadamente R$ 405 mil foram pagos pela Prefeitura do Recife, com recursos das bilheterias do Baile Municipal dos anos de 2010 e 2011. O Maria Lucinda é conveniado ao SUS por meio do município do Recife, mas, por serem de alta complexidade, a UTI e a UCI foram conveniadas ao estado. Só a UTI vai custar mais de R$ 4,3 milhões por ano. A UCI custará outros R$ 2 milhões anuais. Em 2007, havia no estado 228 leitos de UTI, em geral. Hoje são 808. Segundo as previsões do secretário de Saúde, até o fim do ano serão 935.
De acordo com Antonio Carlos Figueira, o estado tem interesse em estimular a criação de UCIs. Segundo dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Saúde, referentes ao mês de maio deste ano, o estado dipunha de 114 leitos de UCI neonatal e apresentava um déficit de 138 leitos. Para o ouvidor da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps) Carlos Freitas, não há crise na área de UTI neonatal. De acordo com Freitas, ontem havia 65 pessoas à espera de UTI, no estado. A maioria, 55, adultos.
Fonte: DP Vida Urbana



