Dengue e crise nas UPAs

A epidemia de dengue que atinge Pernambuco – são mais de 30 mil casos em 179 municípios – coloca na berlinda o modelo e a qualidade da assistência médica prestada nas redes de urgência. Coincide com uma época desfavorável: a de corte de gastos. Administrando nove UPAs estaduais, o Imip já começou a demitir profissionais da área administrativa e do serviço social desses serviços. A entidade e a Secretaria Estadual de Saúde alegam que não irão prejudicar a população. Mas quem garante ser possível manter as escalas nessas e nas demais administradas por outras organizações diante da alta dos custos sem o equivalente reajuste de contrato? Antes disso as UPAs vinham sendo alvo de críticas, da demora no atendimento à qualidade da consulta, muitas vezes sem exame físico ou laboratorial do doente, liberação mesmo diante de sinais de agravamento e a incapacidade para transferir a hospitais por falta de leitos. Há problemas estruturais na pediatria do Hospital da Restauração e no Getúlio Vargas, além de restrição, denunciada ontem, na emergência do Hospital Otávio de Freitas. Segundo protocolou a Aduseps no Ministério Público Estadual, uma ala do primeiro andar do HOF está sendo utilizada por outro serviço e macas estão esbarrando na porta de elevadores. Pernambuco já enfrentou epidemias maiores com uma rede menor. Contou com a experiência valiosa das equipes competentes dos Hospitais Oswaldo Cruz e Barão de Lucena, que salvaram vidas. Dessa vez predominam casos mais leves. No entanto, não estamos livres dos episódios graves e das mortes. A primeira foi confirmada e questionada. O doente permaneceu mais de 12 horas na UPA em estado grave quando deveria ter sido levado imediatamente a um hospital com UTI. A organização das redes do Estado e dos municípios é necessidade urgente, diante da trégua ainda distante do Aedes aegypti.

Futuro da epidemia

JC – Qual é a sua previsão diante da primeira morte confirmada?

VICENTE VAZ – Espanta-me não haver mais casos graves de dengue. Há uma multidão de mosquitos, que se proliferam com o imenso calor, atípico nessa época do ano. Parte dos doentes não está chegando aos serviços. Muitos, provavelmente, ainda irão adoecer e, pelo tamanho da epidemia, novas mortes podem ocorrer.

* Infectologista, professor da Universidade de Pernambuco

Eu pergunto

Acredito que os mosquitos da dengue se proliferam nos açudes, lagos, fontes e esgotos onde as águas ficam paradas e aquecidas pelo calor solar”, Adriana, leitora do blog Mais Saúde

Resposta

A bióloga Alice Varjal, da Fundação Oswaldo Cruz, no Recife, esclarece que o Aedes aegypti prefere pequenas coleções de água, pois precisa das paredes dos reservatórios (caixas d’água, balde ou tampinha de garrafa) para por seus ovos.

Reforma psiquiátrica emperrada

Vem aí a Semana de Luta Antimanicomial. Faltam residências e Caps. Dia 14, às 20h, tem cine-debate na Casa do Cachorro Preto (Olinda).

Sábado é dia de vacinar contra a gripe

Quase 30 mil se vacinaram no Estado. Mas foram chamados dois milhões de crianças de 6 meses a menos de 5 anos, idosos e grávidas.

Compartilhe

Enfermagem

No Dia Mundial da Enfermagem, terça-feira 12, a faculdade Facipe promove palestras sobre imunobiológicos e biossegurança. As inscrições são gratuitas até hoje. Acesse: www.facipe.edu.br.

Cardiologia

O Real Cor/Procárdio promovem hoje e amanhã simpósio internacional, no Hospital Português, para debater emergência cardiológica. Hipertensão e infarto estão na lista. Informe-se: www.sbcbm.org.br.

Terapia popular

A Sociedade Psicanalítica do Recife atende a população de baixa renda, a valores negociados. Depressão e síndrome do pânico são tratados. Informe-se: (81)3226-0462.

Preceptor

A UFPE e a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) estão inscrevendo para capacitação de preceptores de residências em saúde. Leia edital e mais detalhes do curso em www.ufpe.br/hc.

Fonte: jornal do Commercio

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas