Denuncie criadouros do aedes

Agora é para valer. Nenhum imóvel da capital pernambucana deixará de ser vistoriado por agentes da Vigilância Ambiental e Controle de Endemias porque está fechado ou o proprietário não permitiu a entrada. O acesso a esses locais está respaldado por dispositivos legais que a Prefeitura do Recife adotou ou por decisão judicial. Chaveiros foram acionados para garantir a abertura de portas, portões e cadeados. A população tem que fazer a sua parte, fiscalizando e denunciando, por meio da Ouvidoria de Saúde (fone 0800-2811520), as casas, galpões e estabelecimentos comerciais que possam ter focos do mosquito Aedes aegypti.

Os números comprovam a dificuldade do poder público de percorrer os imóveis: ano passado, a cada quatro casas visitadas, uma estava fechada, abandonada ou não foi autorizada a entrada. Foram 2,2 milhões de visitas em 2015, com 26,76% nessa situação. De 28 de novembro até agora, segundo a Secretaria de Saúde do Recife, houve a vistoria de 38.980 imóveis. O levantamento que aponta o percentual de recusas nesse período ainda não foi realizado.

“Mas já identificamos pelo menos 79 imóveis que precisarão ser abertos pelos chaveiros. Em cada um deles houve três tentativas de acesso, em dias e horários diferentes, inclusive com a presença de testemunhas. Como não conseguimos vistoriar, estamos levando um chaveiro para abrir os prédios. Faremos a colocação de larvicida e eliminação de possíveis focos do mosquito. Depois, o local é novamente fechado, com todo o cuidado para não danificá-lo”, explica a secretária-executiva de Vigilância à Saúde, Cristiane Penaforte. A previsão é de que o trabalho seja concluído até o fim deste mês.

A ação começou ontem no bairro do Ibura, Zona Sul, com vistoria de três imóveis. O primeiro foi um galpão localizado na Rua José Brasileiro Vilanova. Agentes ambientais estiveram no endereço nos dias 10, 18 e 23 de fevereiro. Ao entrar no prédio, pela manhã, encontraram poças d’água com larvas. Agentes recolheram amostras para análise laboratorial, que apontará se as larvas eram do Aedes aegypti ou de muriçoca.

A equipe aplicou larvicida em pó no estabelecimento, além de fumacê com inseticida. Também usou um aspirador para coletar mosquitos na fase adulta. “Como o galpão fica protegido do sol, o local estará seguro por um período de 40 dias. Mas vamos monitorá-lo”, destacou Cristiane.

Os outros dois imóveis visitados, ambos residenciais, ficam na Avenida Dois Rios e estão abandonados, tomados pelo mato. Em um deles, o proprietário chegou logo após o chaveiro contratado pela prefeitura abrir a grade. Ele informou que mora numa casa atrás da que estava fechada.

“Quando chove aqui, fica tudo alagado, com mais de um metro d’água. Por isso, não consigo alugar a casa”, afirmou Rogério Oliveira. “Os agentes devem ter vindo quando eu estava fora, trabalhando. Agora estou desempregado. Concordo que entrem, não tem problema.” No local, apenas uma bacia sanitária com água poderia ser criadouro do mosquito transmissor da dengue, zika e chicungunha. Foi fechada e a água recebeu larvicida. No terceiro imóvel, agentes colocaram larvicida numa fossa que se encontrava aberta.

Fonte: Jornal do Commercio

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