Uma doença silenciosa que acha brechas nas barreiras culturais para os exames. Que poderia ser diagnosticada precocemente e curar-se em 90% dos casos. O câncer de próstata não é tão simples como muitos homens acreditam. Negligenciá-lo é como acender um pavio que pode estourar a qualquer momento. Assintomática na fase inicial, a doença descoberta tardiamente pode já ter causado um dano geral ao corpo, atingindo principalmente os ossos. Por isso, a palavra-chave é o cuidado preventivo, principalmente, para aqueles que possuem história familiar para este tipo de câncer. Também figuram no grupo de risco os negros e idosos acima dos 80 anos. Já os fatores externos apontam que a ingestão de gordura animal em excesso é um vilão para a próstata. O representante da Sociedade Brasileira de Urologia em Pernambuco, Clóvis Fraga, destacou que a prevenção passa necessariamente pelos exames de toque retal e a verificação do PSA no sangue, então não adianta protelar. A realização desses testes deve ser anual, a partir dos 45 anos para quem tem outros casos de câncer na família e aos 50 anos para os homens em geral. Complementarmente pode ser solicitada ultrassonografia da próstata, ressonância e biópsia. O chefe do serviço de Urologia do Hospital do Câncer de Pernambuco (HCPE), André Maciel, reforçou que os homens precisam se conscientizar e se antecipar aos sintomas da doença. “Na fase inicial o homem não sente absolutamente nada. Mas na fase avançada o paciente pode ter dor óssea forte, fratura patológica, ou pode ter sintoma urinário. Isso acontece porque quando a próstata cresce por câncer é comum aparecer dificuldade para urinar e retenção urinária. E também há o risco de metástase para os ossos”, explicou. O aposentado Antônio Praxedes, 71 anos, descobriu o câncer há oito anos. “Quando eu ia urinar doía, ardia, queimava. Foi quando vim no hospital e o médico disse o que poderia ser. Tremi de medo porque já imaginava que não ia ser simples”, contou. O idoso confidenciou que acreditava estar completamente curado após a retirada da próstata por isso não voltou mais ao médico desde então. Agora enfrenta uma reincidiva nos ossos. Severino da Silva, 72 anos, também descobriu o câncer depois de buscar o hospital com a queixa de ardência ao urinar. Faz dois meses que foi operado e hoje tenta convencer os amigos a buscarem fazer os exames preventivos, que ele mesmo nunca deu importância. “Os homens muitas vezes têm mais medo é do exame do toque do que da doença”, confidenciou. André Maciel contou que há alguns fatores que podem ser decisivos para a incidência do tumor maligno de próstata. Um dos mais importantes é o genético. “Se um homem tiver um parente de primeiro grau, como pai ou irmão, com câncer de próstata haverá 2,5 vezes mais chances de ter câncer de prostáta”, afirmou. Contudo se este familiar descobriu o tumor aos 80 anos ou mais o fator genético deixa se ser o mais importante, que passa a ser a idade avançada, ou seja o envelhecimento. “Existe uma tendência de quanto mais velho for o paciente mais chances ele tem de desenvolver o câncer de próstata, 80% dos homens com 80 anos têm câncer de próstata. Como passar da idade aumentam as chances da doença”, comentou o médico Clóvis Fraga. O urologista André Maciel indicou ainda que há uma prevalência da doença entre a população negra, mas a medicina ainda não conseguiu identificar o porquê disso. Entre os homens negros a chance é três vezes maior de desenvolver a doença em relação a um homem branco. Já entre os fatores externos que podem desencadear o tumor esta o consumo excessivo de gordura animal. O sobrepeso também é complicador. MITOS
Muitos dos homens já ouviram falar de teorias diversas para evitar o tumor de próstata. Algumas são receitas caseiras, outras vitaminas associadas. Contudo, André Maciel elenca que várias fórmulas são mitos. “Não há nada do ponto de vista científico que comprove que você fazendo uso previne câncer de próstata. Existem trabalhos inúmeros. Trabalhos que dizem que se o homem tiver uma frequência sexual alta ele diminui a chance de ter a doença, mas nada ficou comprovado. Antigamente se dizia que se o paciente fizesse vasectomia aumentava o risco de câncer de próstata, mas nada se confirmou. Também se popularizou que ficar exposto ao sol, provavelmente por estímulo à produção de vitamina D, diminuiria o risco da doença, contudo ainda não há comprovação científica. São apenas teorias ”, comentou Maciel. O sexo anal também estaria fora de qualquer relação com a incidência de tumor.
HIPERPLASIA
Existem diferenças entre o aumento da próstata causado por câncer e o aumento dela devido a hiperplasia prostática. A hiperplasia é uma alteração benigna e comum no envelhecimento. É a doença mais comum da próstata e atinge 80% dos homens acima de 50 anos. O aumento da glândula comprime a bexiga e obstrui parcial ou totalmente a uretra, prejudicando o fluxo normal da urina. Omédico André Maciel contou que a parte da próstata que cresce na hiperplasia é a parte central, que envolve a uretra. “Por isso que os pacientes com hiperplasia têm sintomas mais precocemente que os de câncer. No câncer, a zona geralmente atingida é a periférica e que quando vem dar a obstrução em geral já está bem avançada. Ninguémmorre por causa de hiperplasia”, afirmou. Já o presidente de SBU, Clóvis Fraga, alertou que apesar de uma doença não ter relação com a outra, o paciente pode ter só hiperplasia, só câncer ou as duas enfermidades associadas.
Fonte: Folha de Pernambuco



