Dever cumprido na comunidade de Bola na Rede

A comunidade de Bola Rede, às margens da BR-101/Norte, no Recife recebeu a Caravana Cremepe/Simepe na manhã ensolarada desta sexta-feira, dia 15 de junho. Nada que surpreendesse qualquer habitante da cidade.  integrante Era o último dia da 8º edição do projeto das  entidades médicas pernambucana. Antes de chegar à localidade, os caravaneiros passaram pelos bairros dos Aflitos, Casa Amarela, Nova Descoberta, Burity, Macaxeira. Córrego do Jenipapo e Guabiraba. A movimentação era intensa em uma das principais rodovias do Estado. Na entrada da comunidade estão localizadas duas fábricas:  Confiança (biscoitos) e Schincariol (cervejas e refrigerantes), além do clube de campo do Sindsprev, no quilômetro 13. Trecho totalmente pavimentado.

Os caravaneiros chegaram tranquilos por volta das 9h30 e foram logo arregaçando as mangas para o trabalho. Os médicos Silvio Vasconcelos, Válber Stéfano e Shirlene Mafra fiscalizaram a Unidade de Saúde da Família Gilberto Freire, inaugurado em 27/12/2001, localizado à Av. Padre Mosca de Carvalho. Os profissionais médicos identificaram, através de conversa e da aplicação de pesquisa direta, que tanto profissionais como usuários se encontram satisfeitos com o local de atendimento. Os moradores, com raras exceções, quando perguntados sobre o tempo de espera para marcação de consultas, afirmaram que não têm dificuldades. Duas semanas tem sido o tempo médio para consultas.

OFICINA NA CALÇADA

Do lado de fora do prédio, os grafiteiros Gallo e Bonny pediram permissão e conseguiram sinal verde para desenhar e pintar o muro que faz a cercania do prédio da USF, inaugurado em 2001, na gestão do prefeito petista João Paulo. Ao mesmo tempo, eles instalaram a oficina na calçada, lado contrário da igreja católica, uma casinha em azul e  branco.. Aos poucos as crianças foram chegando para fazer seus desenhos. A arte que não ficou apenas no sonho.  Laia Laís, 7 anos,Daiane Grazielle, 7 anos e  José Carlos 11 anos  pegaram papel, lápis, tintas e iluminados pelo sol deram asas à imaginação. Outras chegaram e participaram da atividade. Cerca de 10 crianças. Depois de algum tempo, todos foram para a rua lateral do posto de saúde. Lá tem mais sombra e uma rajada de vento muito  agradável. A mais comunicativa das crianças era Daiane que fez uma árvore e boneca multicoloridas. Impressionou pela firmeza do desenho “ Gosto de  desenhar e pintar. Vocês vão voltar amanhã? ”,  com um  sorriso meigo estampado em seu rosto infantil.

Os grafiteiros pegaram os sprays e soltaram as mãos, utilizando as cores lilás, verde, vermelho, marrom e branco. Tudo simples e natural. Sol forte. Temperatura elevada. Emoções voaram como folhinhas sopradas ao vento. A curiosidade ficou por conta dos alunos da Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima que estavam indo para o estabelecimento. Alguns pararam para ver o trabalho. O aluno Jefferson Silva, 15 anos, ficou por alguns minutos curtindo os traços e retoques da “obra de arte”  no muro. “ Eles  pintam muito bem, com cores alegres e a mensagem é legal: a saúde quem  faz é você ”, afirmou.

O aposentado Pedro Lourenço, 60 anos,  morador em Bola da Rede há mais de 20 anos, também parou e falou com Gallo e Bonny.  Para, ele a arte é algo que mexe com a criatividade e a própria vida do ser humano.  Sobre a comunidade, ele disse que gosta de morar naquela área do Recife. “O transporte, a coleta de lixo e o posto de saúde funcionam, mas uma das coisas que sinto falta é de um espaço para lazer e diversão das crianças ”, frisou.

ENTREGUE À PRÓPRIA SORTE

Nas ruas, a equipe  composta por Ericka Lopes , Eduarda Menezes e Girlene Ribeiro abordou os moradores e mais uma vez o problema “drogas” foi apontado como o mais preocupante também nesta comunidade do Recife, além da  falta de policiamento. Nesse quesito, Bola na Rede  encontra-se entregue à própria sorte. Por sua vez, a jornalista Natália Gadelha fez várias fotografias e colheu depoimentos dos participantes  sobre o trabalho da Caravana. Muito bem.

Segundo a avaliação do diretor do Simepe, Valber Stéfano, a impressão que ficou é  positiva em muitos aspectos sobre a Unidade de Saúde da Família de Bola na Rede. “A gestão municipal conseguiu avançar e depois da fiscalização do Cremepe em 2011, melhorando a estrutura e o atendimento para a população. Todavia, é preciso fazer mais” assinalou.

Na velocidade do tempo o relógio  marcou 12h. É hora de voltar, de recomeçar. Os caravaneiros pegam novamente a estrada. Mais uma edição do projeto Caravana Cremepe/Simepe, desta feita a oitava chega ao seu final. Dever cumprido, consciência tranquila. 16 comunidades visitadas no Recife. Sonhos, desejos, lições, experiências marcadas na vida de cada um. Como diz Beto Guedes “ Todo dia é de viver

Para ser o que for. E ser tudo… (Amor de Indio)

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