O HR está na rotina de Gustavo há cinco anos. Quando não é segurança, ele assume outros papéis. Versátil, já foi matuto no São João, ontem, estava de palhaço, e no Dia de Natal será o Papai Noel. Começamos em 2010. Vejo tanto sofrimento das crianças que quero fazer algo para alegrar, contou. Ontem, na Unidade de Queimados da Pediatria tinham 13 crianças internadas. O movimento por lá é grande, já que a Restauração recebe pacientes vítimas de queimaduras de todo o Estado. O contato diário é tão forte que, mesmo quando elas ganham alta, continuo a visitá-las. Pelo menos três estou sempre visitando, disse o segurança-palhaço. Voluntária-recreadora há quatro anos no hospital, Maria de Fátima ficou feliz com o resultado. Vim de longe para estar aqui. Mobilizamos os amigos para arrecadar o que precisava. Tudo isso valeu a pena, complementou.
Depois de passar dois meses se recuperando, a pequena Taislane Nascimento, 6 anos, se despedia da equipe. Ela veio apenas para refazer o curativo, mas quando viu essa festa não quis mais sair, confessou a mãe, a dona de casa, Eliane Nascimento da Silva, 28 anos. A caçula estava em casa na companhia dos irmãos mais velhos quando se acidentou com um isqueiro, provocando queimaduras por todo o corpo. Estava fora de casa quando isso aconteceu. Um acidente horrível. Fiquei aqui com ela esse tempo. Mas ainda bem que ela melhorou, relatou Eliane, aliviada. Taislane não escondia o sorriso e se divertia andando de velocípede e comendo doces.
Outra vítima de um acidente doméstico também deu entrada ontem na Unidade de Queimaduras do HR. Com apenas 12 anos, José da Silva se queimou com o óleo quente em casa na noite do último domingo, em João Alfredo, sua cidade natal. A mãe dele, a dona de casa Margarida Francisca da Silva, 36 anos, não sossegou desde então. O menino chegou se queixando bastante da queimadura que atingiu a mão. Mas tão logo viu a palhaçada em pleno centro hospitalar deixou o choro de lado e foi se juntar às outras crianças. A mãe aprovou a iniciativa. Estamos longe de casa, então isso anima a gente e as crianças. Não vemos esse tipo de coisa acontecer em todos os hospitais. Gostei muito, elogiou.
O chefe da Unidade de Queimados do HR, Marcos Barreto, ressaltou que esse tipo de ação só faz ajudar no tratamento. O hospital é um ambiente frio, branco, em certo grau até hostil para as crianças, que gostam de liberdade. Então criar uma atmosfera agradável para elas é extremamente saudável. Patrocinamos isso em vários festejos do ano, explicou.
Fonte: Jornal do Commercio



