A hanseníase é uma doença marcada pelo preconceito. O sentimento surgiu por conta de um passado de horror onde os infectados pelo Mycobacterium leprae, também conhecido como Bacilo de Hansen apresentavam sequelas físicas bastante chamativas. As mãos em formato de garras em decorrência a atrofia dos dedos, os nódulos por todo o corpo e as úlceras de pernas e pés deixavam as pessoas mal vistas pela sociedade. Muitos dos hansenianos tiveram que ser afastados do convívio social, abandonados inclusive por seus familiares. Hoje, dia 24, data em que se denominou o Dia do Hanseniano também é um momento que se chama para uma reflexão sobre essa doença. O Dia Mundial de Combate à Hanseníase é comemorado no último domingo do mês de janeiro, dia 27.
O bacilo foi descoberto em 1873 pelo médico Amaneur Hansen, na Noruega. Apesar desse achado ser antigo, somente nos últimos anos, o País começou a reduzir o número de casos. A diminuição chegou a 26% nos últimos dez anos, segundo o estudo Saúde Brasil 2011. A prevenção ainda é a melhor forma de combate a essa patologia. Por isso, o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), em parceria com a Sociedade Cultural da Mirueira, organizou para acontecer amanhã, uma programação de orientação sobre a doença. A ação será realizada no Posto de Saúde da Família localizado no bairro da Mirueira, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Exames dermatológicos e neurológicos serão realizados gratuitamente.
Muitas pessoas que percebem os primeiros sintomas, especialmente manchas, procuram o ambulatório do Hospital da Mirueira, uma das três unidades de saúde consideradas referência para esse tipo de atendimento. Localizado em Paulista, o hospital completa 71 anos este ano. O diretor da unidade, José Carlos Rosa, explicou que após 15 dias tomando a medicação, o portador da bactéria deixa de ser um transmissor da doença. “O essencial é que aconteça o diagnóstico precoce. Quando a pessoa demora a descobrir a doença as sequelas vão aparecendo, sobretudo em pacientes de baixa renda”. Não existem fatores específicos que justifiquem a contaminação de algumas pessoas, mas a predisposição genética e condições de vida como alimentação e higiene podem ser determinantes.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) registrou 2.649 casos durante o ano de 2011. No ano seguinte, o número reduziu, sendo registrados 2.224 casos. A doença ainda é considerada um problema de saúde pública, pelo caráter infeccioso e crônico. O contágio é feito entre pessoas, tanto pelo contato pela secreção como também pelas vias respiratórias (gotículas de saliva). O período de incubação da bactéria leva entre dois a cinco anos. Quando a pessoa tem um diagnóstico precoce, o tratamento é simples, feito com base de comprimidos que podem ser necessários durante seis ou doze meses, dependendo do grau da doença. Casos mais avançados podem ter durações superiores. Os postos de saúde dos municípios podem atender esses pacientes. Já os casos mais graves contam ainda com três referências para o tratamento da doença em Pernambuco. Além do Hospital da Mirueira, o serviço também é encontrado no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no bairro dos Coelhos, no Recife.
Fonte: Folha de Pernambuco



