Além de minimizar o empo de espera pela confirmação ou não do câncer de próstata, a implantação do biossensor para a detecção precoce da doença no sistema de saúde promete popularizar e facilitar o cesso aos cuidados édicos. Os primeiros passos para que isso ocorra já foram dados, mas de acordo com a pesquisadora Mariana Arruda, que coordena os estudos para este dispositivo, o trabalho enfrenta desafios como a busca por investimentos. estes clínicos com mostras de DNA extraídos do sangue demonstraram sucesso os diagnósticos de homens no Hospital das clínicas. Em breve novas experiências serão feitas m pacientes do Instituto e Medicina Integral professor Fernando Sigueira (Imip). O teste rápido para o câncer de próstata pode significar o fim do atual protocolo diagnóstico que envolve e início o exame laboratorial (PSA) e o temido toque retal. Mariana Arruda é a última pesquisadora do laboratório de munopatologia Keizo sami (Lika) da universidade Federal de Pernambuco (UFPE) entrevistada pela Folha entro da série biossensores. Na quinta- feira, Danielly Ferreira alou sobre o dispositivo e diagnostico do HPV16 ontem Deborah Zanforlin contou sobre o este-rápido para o câncer e mama.
RENATA COUTINHO Como e quando começaram os estudos para este biossensor? Os estudos começaram há quatro anos quando, através de uma breve pesquisa, eu verifiquei que a maioria dos homens não gostava de ir ao médico e que, além disso, se recusava a fazer o exame de próstata. Este tema também vem sendo sempre abordado com piadas entre a população e, devido a esse preconceito, o câncer de próstata é o tipo de maior incidência na população masculina. Já foram feitos testes clínicos? Os estudos já estão bem adiantados e os resultados foram animadores a partir dos testes clínicos com os pacientes do Hospital das Clínicas (HC). As primeiras avaliações foram realizadas no início do ano, entre os meses de fevereiro e maio, com amostras de sangue dos pacientes do HC. São necessários mais testes comum número maior de participantes e coma participação de outros hospitais também. Já existe a liberação do Imip para estes exames serem executados lá. No mundo há outros estudos como este? Existem vários estudos com biossensores para câncer de próstata, porém em quase nenhum foram feitos testes clínicos. Nenhum com a nossa simplicidade, sem grandes aparelhos e que não demandam um custo elevado. Que tipo de análise o dispositivo pernambucano faz? O biossensor é específico para o câncer de próstata, pois é baseado em um gene que é expresso apenas como câncer. É diferente dos exames utilizados hoje em dia, que ainda deixam algumas dúvidas, sendo necessários mais exames. O princípio e ideia do teste é funcionar como o exame de glicose, aquele que os diabéticos têm em casa e que funcionam apenas com uma gota de sangue, porém atualmente não é possível e nem viável. Além de que não é recomendável que as pessoas recebam este diagnóstico sem alguém capacitado que possa lhe explicar e lhe dar o apoio psicológico necessário ao impacto de resultado. Hoje o diagnóstico é feito com o sangue dos pacientes e logo descobrimos se ele está ou não com o câncer, pois o biossensor é capaz de diferenciar o câncer da hiperplasia prostática benigna. Então os exames atualmente são imprecisos? Não. O problema é que existem várias etapas para se ter um diagnóstico preciso. Quando o paciente recebe o exame de PSA e o resultado é considerado alterado ele precisa fazer o exame digital retal (o famoso toque), depois ultrassom transretal e outros que também são necessários. Quando o PSA está alterado pode ser também a hiperplasia prostática benigna, pois o exame é específico para a próstata e não para o câncer. O diagnóstico atual para este tipo de câncer tem que passar pelo exame de toque, que ainda gera preconceito pelos homens. O biossensor também é uma revolução nesse sentido de popularizar e dar mais aceitação para o público masculino? Exatamente. O principal propósito antes de realizar o estudo era tentar desenvolver um método que excluísse esta etapa do exame digital retal. No que ele se diferencia do exame de PSA? Um exclui o outro? Sim, pois ele é mais sensível que o PSA e detecta o câncer com concentrações mais baixas, excluindo também o toque, que é o motivo da população masculina evitar ir ao médico e acabar descobrindo o câncer quando ele está avançado. Falando em custos, o que ele representa? O custo não seria alto comparado com os exames realizados na atualidade, visto que nunca é necessário apenas um exame para o diagnóstico preciso. Já há algum interesse de empresa ou governo em patrocinar e uma projeção de entrada no mercado? Ainda não. São necessários mais testes e precisamos de mais incentivos governamentais na área de ciência e tecnologia. Acredito que ele possa chegar para população em 10 anos oumenos. Tudo depende, infelizmente, de recursos financeiros. A entrada dos biossensores na saúde representa a universalização de baixo custo para a detecção do câncer? Como você avalia a contrapartida e incentivos financeiros para este tip de pesquisa? Sim. Com a utilização de biossensores as pessoas d cidades distantes dos grande centros terão acesso a resultados mais rápidos e com qualidade. Sabemos que quanto mais rápido o diagnóstico, mais rápido começa o tratamento e melhor o prognóstico. Pen que no Brasil não existe um cultura de investimento e ciência e tecnologia. Sempre temos que ficar “correndo atrás do dinheiro”.
Fonte: Folha de Pernambuco



